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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Rosa Selvagem - Capítulo 9 - "O Limite do Orgulho"


"O limite do orgulho"



Já passava das três horas da madrugada e Minos ainda estava trancado em seu escritório. Não havia saído de lá para nada, desde que deixou Albafica na sala de jantar.
O santo de Atena ainda se encontrava sentado à mesa, que agora estava limpa, pois alguns escravos haviam retirado a comida um pouco depois que Minos saiu. O cavaleiro ainda estava atordoado com os acontecimentos recentes. Às vezes, perdido em seus confusos pensamentos, tocava seus lábios, recordando a sensação causada pelo beijo do juiz.

"Aquele beijo... foi diferente, completamente diferente do outro que Minos me deu quando me ameaçou. Era como se... eu pudesse sentir sua alma. Como ele consegue fazer aquilo?! Como ele tem essa capacidade de mexer tanto comigo? Não é possível que alguém consiga fingir a tal ponto, não pode ser que ele seja capaz de demonstrar algo que não sente. Será possível? Um espectro, um servo de Hades, ter sentimentos tão nobres e humanos?" - o cavaleiro tenta a todo custo achar uma explicação plausível e racional para o que sentiu no cosmo do juiz. - "Mas... o que eu estou pensando? Isso é ridículo! Como posso ter esperanças de que um espectro tenha sentimentos?! Estou enlouquecendo! Ele está jogando comigo! É isso! Não posso cair nos jogos deste maldito! Com certeza, ele se utilizou de alguma artimanha que desconheço. Talvez eu estivesse certo sobre a comida. É a única explicação. Eu jamais, em sã consciência, sentiria "aquilo" por um espectro!" - o cavaleiro trinca os dentes com raiva, não só de Minos, mas também de si mesmo, por estar tão confuso e se deixar levar pelos sentimentos. - "Aquele maldito juiz!"

Os pensamentos do santo de Atena são interrompidos quando ele escuta a porta do escritório se abrir e fechar delicadamente, fazendo um pouco de barulho. Albafica olha assustado na direção da porta da sala de jantar e observa Minos passar cabisbaixo, direto por ela a passos preguiçosos. O espectro sequer levanta a cabeça para procurar o cavaleiro. O juiz estava febril e cansado.
Albafica se levanta vagarosamente, indo a passos leves até a porta e calmamente espia o espectro, que não se demora a entrar no banheiro.

"O que ele tem?" - o pisciano vai até a entrada do banheiro, cautelosamente, para não ser notado e espia pela porta que Minos deixou entreaberta. - "Afinal, por que estou fazendo isso? Por que estou preocupado com ele? Aff, estou realmente ficando louco!" - Albafica já ia se retirar, quando escuta alguns gemidos doloridos do espectro, o que o deixa curioso e faz com que ele volte a espiar. - "Mas o que diabos este homem tem?! Está sempre febril e cheio de dores... que tipo de doença o aflige dessa maneira?" - o cavaleiro se aproxima mais da porta e se abaixa, observando. - "Droga! Não acredito no que estou fazendo! Isso é ridículo! Mas preciso descobrir o que esse espectro tem."

Minos tira suas vestes, deixando-as ir ao chão. Tira delicadamente sua peça intima e caminha lentamente em direção a fonte natural, para banhar-se mais uma vez com aquela água gelada e tentar abaixar sua febre, que já não era tão alta, mas ainda amolecia seu corpo dolorido. O juiz entra de supetão debaixo d'água e se apóia com uma mão na parede, enquanto solta um gemido alto de dor e frio. A água está tão gélida que lhe dói os ossos, o fazendo soltar vários gemidos, enquanto deixa a água bater violentamente sobre seu corpo. Minos permanece um bom tempo de cabeça baixa, deixando a água lhe atingir dolorosamente.

- Hummm... - por um instante, Albafica se lembra das vezes em que observava o Rodorio do alto de uma colina, prestando atenção em cada movimento das pessoas que andavam pelas ruas, desejando conhecê-las e estar com elas. Isso faz com que seu coração se aperte um pouco. - "Nunca ninguém se aproximou tanto de mim..."

Minos ensaboava delicadamente seu corpo, pois sua pele ardia um pouco devido ao frio. O cavaleiro, que observava atenciosamente cada movimento de Griffon, havia ficado hipnotizado ao perceber pela primeira vez a beleza e delicadeza do espectro, se perdendo completamente em seus movimentos involuntariamente sensuais. O juiz, que passara um bom tempo se ensaboando, volta a entrar debaixo d'água, soltando mais alguns gemidinhos, enquanto se apóia novamente na parede, tentando suportar o mal estar.

Sem querer, Albafica acaba se encostando à porta, que abre mais um pouco, fazendo um ruído.

- "Droga!" - o pisciano se assusta e afasta-se da porta, ficando ao seu lado, encostado na parede.

Griffon, que ainda estava parado e apoiado com a mão na parede, apenas olha de canto, sem mexer a cabeça e dá um sorriso discreto. Como estava de costas, era impossível que Albafica visse sua reação. Ele sabia desde o início que Albafica o observava, mas isso não o incomodava. Ao contrário, Minos estava gostando de ser observado daquela forma e sentia com satisfação os olhos ávidos de Albafica sobre si. Finge não ter escutado nada e continua banhando-se normalmente. Pega o shampoo e o aplica sobre seus longos cabelos, massageando-os levemente, voltando em seguida para baixo da água gélida e se enxaguando suavemente. No momento, tudo que o espectro queria era relaxar seu corpo e abaixar sua febre.

Depois de alguns minutos, o pisciano volta a observar cautelosamente o banho do espectro, pois acha que Minos não percebeu sua presença. Aproximadamente quarenta minutos depois, Minos sai do banho e caminha em direção às toalhas, que ficavam penduradas na parede ao lado da porta. Albafica suspira fundo, colocando a mão bastante trêmula na cabeça e se afasta um pouco, se escondendo atrás da parede. Mais uma vez, um sorriso discreto de satisfação floresce no rosto do espectro, que logo veste seu roupão e pega uma toalha, levando à cabeça e secando seus cabelos, enquanto caminha em direção ao quarto. Em contrapartida, o pisciano se afasta ainda mais, disfarçando pessimamente. Ele realmente não sabia mentir e era pior ainda quando tentava fingir. Vivera sozinho durante grande parte de sua vida e não sabia lidar com essas situações.

Minos sai do banheiro com a toalha sobre a cabeça, segurando as suas pontas. Pára cerca de três passos, depois de passar pela porta, mantendo-se de costas para Albafica, que estava com a cabeça levemente abaixada e o observava discretamente, encostado na porta da sala de jantar.

- Se queria tomar banho, podia ter entrado. Eu não me importo com sua presença. - o espectro diz, num tom calmo e sereno.

- Eu... eu só fui até o banheiro... - Albafica arregala os olhos e vira um pouco o rosto, constrangido. - "Ele me viu... será que faz muito tempo que ele percebeu?" - pensa o cavaleiro. - eu.. eu estava na sala de jantar e não o vi chegar... então...

- Albafica... - o juiz se vira para ele, fitando-o nos olhos com aquelas belas e sedutoras íris arroxeadas, que insistiam e invadir-lhe a alma. - Quantas vezes precisarei dizer que odeio mentiras? - mantendo seu tom sereno.

- Eu não estou mentindo... - Albafica não consegue fitar o espectro nos olhos e desvia o olhar para o chão. - O ouvi gemer e... eu apenas... eu só... fui ver  se você estava... só fui ver o que estava acontecendo! - completamente constrangido, tenta achar uma resposta convincente e gagueja. - "Porque estou gaguejando tanto? Preciso me acalmar!"

Um sorriso pretensioso e delicado se forma no rosto do juiz que se põe a caminhar lentamente em direção a Albafica. O espectro se aproxima e põe uma das mãos na parede, prendendo-o sutilmente entre ele e a parede.

"O que diabos ele está pensando?! Maldição!" - o pisciano o fita, assustado. Leva as mãos ao peitoral de Minos e o empurra. - Sai!

- Demorou quase uma hora para perceber que eu estava tomando banho, cavaleiro? – diz, se aproximando ainda mais de Albafica e sussurrando ao pé de seu ouvido.

Albafica trinca os dentes e empurra Minos com mais força. Mas este não se move um milímetro.

- Você está invadindo meu espaço! - a face do pisciano fica levemente corada.

- Hum... "invadindo seu espaço"? - o espectro se aproxima ainda mais do ouvido de Albafica, sussurrando um pouco mais baixo. - Quem invadiu o espaço de quem primeiro, "Albafica!" - frisa o nome do cavaleiro de forma sedutora.

- Eu não invadi seu espaço... - fala de forma arredia, virando o rosto.

Minos aproveita que o pescoço do santo de Atena está completamente à mostra e desprotegido e o cheira, passeando com o nariz por toda a sua extensão, enquanto fecha os olhos e se embriaga em seu perfume.

- Pare! - Albafica usa mais força para empurrá-lo e levanta a voz, num tom autoritário. - Pare com isso, espectro!

- Me diga Albafica... o que estou fazendo de mal? - Minos ainda sussurra, enquanto a ponta de seu nariz passeia pela delicada pele do pescoço do pisciano. - Apenas estou sentindo o doce perfume desta rosa selvagem à minha frente... isso é ruim? - pergunta ao pé de seu ouvido, num tom irônico e sedutor.

- Ponha-se em seu lugar! - Albafica torna a fitar Minos com seu olhar indomável e selvagem, enquanto fala num acesso de raiva.

Minos afasta um pouco seu rosto, para poder ver melhor aqueles olhos azuis cristalinos e escuros como safira.

- Hum... e qual é o meu lugar, cavaleiro? - o juiz mantém seu tom irônico e sedutor, cochichando bem perto do ouvido do pisciano, fazendo-o se arrepiar. - Será que terei que lembrá-lo de sua condição?

- Maldito! - seus olhos indomáveis faiscavam. Albafica trinca os dentes e fecha um dos punhos para desferir um soco no juiz.

Minos se afasta novamente e permanece parado tranquilamente fitando-o. Seu olhar profundo faz com que Albafica se perca nele, como se fosse atraído por uma força maior. O poder de sedução do espectro o intimidava.

Hipnotizado pela profundidade e sedução daqueles olhos, Albafica inexplicavelmente, se acalma e abaixa seu punho. O cavaleiro não consegue desviar o olhar e seu ódio se esvai, enquanto sua expressão se modifica, se tornando séria e concentrada. Ele não consegue fazer nada contra Minos, está subjugado pelo espectro e se sente sufocado.

- Pare... - o cavaleiro balbucia. - Pare com isso Minos!

- "Uma rosa tão delicada e indefesa diante de mim... e tudo que consigo fazer é admirá-la... como ele pode exercer tal poder sobre alguém como eu...?" - o juiz pensa, enquanto permanece olhando para o santo de Atena. - "Aquele beijo... aquela sensação... eu preciso sentir novamente!" - ele está confuso, não entende por que não consegue torturar o cavaleiro como havia planejado. Mal sabe ele que, na mente de Albafica, ele já o tortura.

- Pare agora... - o pisciano fecha os olhos e balbucia quase sem forças. - Me deixe... por favor...

- Você ainda não me respondeu, Albafica. Diga-me o que estou fazendo de tão mau e eu me afasto. - Minos fala gentilmente, num tom muito baixinho. - Vamos... diga! - desvia seu olhar lentamente, em direção dos lábios do cavaleiro, observando cada movimento que faz enquanto tenta falar.

- Vo-voce... você... - Albafica está sem palavras, completamente rubro e ofegante. A proximidade de Minos o desestabiliza. Seu corpo pedia ansiosamente por um contato humano e ele lutava com todas as forças contra seu instinto. - Você está... muito perto... - Albafica está confuso e perdido. Uma profusão de sentimentos toma conta de seu coração... - "Eu não consigo raciocinar direito... eu não..."

- Para quem reclamou de não poder tocar ou ser tocado, isso é um tanto controverso. - Minos fala, num tom baixo e carinhoso. - Eu estou aqui, bem próximo de ti, sentindo teu perfume, seu calor...

- Pare Minos! - o pisciano aumenta um pouco sua voz, ele está transtornado. - Pare com isso!

- Por que não me pediu para parar na sala de jantar? Ao contrário... você me abraçou... me beijou... me puxou para si... me desejou. Como me deseja agora! - Minos leva a mão ao rosto de Albafica, tirando uma mecha de cabelo de seu rosto.

- Não! Isso é mentira! Você está me manipulando, como sempre manipulou suas vítimas! Estou certo de que usou de alguma artimanha para me forçar a fazer aquilo! - o santo de Atena realmente queria acreditar nisso, afinal, Minos é um espectro e, como tal, não é digno de sua confiança.

- Como é?! - o juiz arregala os olhos, se afastando.

- Você sente prazer em torturar as pessoas! Está me usando para se divertir, manipulando meus sentimentos! Eu não sei o que você usou... mas não vou deixar que brinque assim comigo! - Albafica vocifera as palavras, sem pensar em tudo que está dizendo.

- Está dizendo que eu me utilizei de meios escusos para fazê-lo me beijar?! - Minos trinca os dentes, indignado, deixando a raiva tomar conta de seu ser. Estreita seus olhos, fitando-o com ódio e se afasta ainda mais, deixando Albafica livre.

- Você é um espectro! E como todo espectro, tudo que sabe fazer é torturar e destruir! Não irei cair em seus truques! - o cavaleiro está muito alterado. Desencosta-se da parede, se impondo perante o juiz.

- Hum... então é assim... - Minos abaixa a cabeça e leva a mão ao queixo, tentando se acalmar. Ele sempre foi frio e calculista e não deixaria que sua raiva o descontrolasse. Depois de alguns instantes, torna a falar, dando seu típico sorriso malicioso e sádico. - Albafica, vou lhe mostrar a diferença entre forçar e conquistar alguém!

- Hum...?! - as palavras e o olhar maldoso de Griffon fazem Albafica estremecer. O cavaleiro o olha confuso e temeroso. - O que vai fa...

Antes que o pisciano termine de falar, o espectro ergue suas mãos, o imobilizando com sua manipulação cósmica e, com apenas o movimento de um dedo, o empurra com um pouco de violência contra a parede, fazendo com que seus braços juntem-se acima de sua cabeça. Albafica geme quando bate contra a parede e sente seus ossos estralarem.

- Tsc! Marionete cósmica... - o juiz fala num tom baixo e sério, o fitando com certa frieza, com os olhos estreitos. - Você conhece muito bem este meu golpe, não é mesmo? Sabe muito bem que não poderá mover um músculo sequer. E desta vez... como você não tem cosmo algum, não poderá resistir.

- Covarde, maldito! - Albafica grita com ódio, enquanto luta inutilmente para tentar se soltar.

- Isto... Albafica, é forçar! - Minos prossegue falando no mesmo tom sério e agora, firme. Não havia um pingo de ironia em seu ser.

- Pare com isso, desgraçado! - vocifera o cavaleiro, que geme, enquanto ainda tenta resistir.

- Não! Não até que você reconheça sua farsa e me peça perdão! - Minos aumenta a voz, num tom autoritário.

- Não pedirei perdão algum! - Albafica fala, ainda num tom de determinação. - Não há por que me desculpar com você!

- Que pena... - Minos fecha os olhos por alguns segundos, com ar de pesar.

- Me mate de uma vez, seu insolente! - o cavaleiro grita de ódio.

- Então... Realmente terei que lhe mostrar seu lugar, cavaleiro. Não foi você mesmo que me pediu para que eu me pusesse em meu lugar? - o espectro suspira e volta a abrir os olhos, fitando Albafica serenamente. Minos conseguiu se acalmar. - Pois meu lugar é como seu mestre, enquanto você é apenas meu escravo!

- Grrrr! - Albafica trincava os dentes, com tanto ódio que os fez sangrar.

Os dedos de Minos se mexem levemente e as mãos de Albafica descem até os botões de suas vestes, enquanto o juiz observava tranquilamente. Griffon se afasta ainda mais, para poder controlar melhor o cavaleiro, enquanto faz com que suas mãos desabotoem lentamente botão por botão da túnica branca que Albafica vestia.

- Maldito, o que está fazendo? Pare com isso... pare! - o ódio de Albafica começa a se transformar em temor.

Quando todos os botões finalmente são abertos, sob os gritos de protesto do cavaleiro, Minos faz com que as mãos de Albafica retirem lentamente a vestimenta de seu ombro e deixe escorregar por seu corpo, indo ao chão.

- Pare... pare com isso... por favor... - o pisciano fala, quase sem forças. Por mais que tentasse manter seu orgulho, se sentia completamente humilhado, enquanto Minos o subjugava desse jeito. Mesmo assim, admitir que havia mentido era algo muito difícil, até porque em sua mente, Minos não pararia o que está fazendo, mesmo que ele dissesse a verdade.

- Reconheça suas mentiras, Albafica! Reconheça que errou... Peça-me perdão por todas as desconfianças infundadas e prometa que irá me respeitar!

- Não! Nunca! - o pisciano estava tenso, extremamente irritado. - eu não estou mentido! Eu te odeio, maldito!

- Hunf! Então... não tenho outra escolha. - Minos fala baixo, enquanto mexe alguns dedos fazendo com que Albafica tire lentamente sua peça íntima. O cavaleiro arregala os olhos, fitando Minos com medo. Uma gota de suor escorre em seu rosto.

- Albafica... eu só quero a verdade! Diga a verdade! - Minos insistia inexpressivo, num tom de voz baixo e sério.

- Está bem! Eu digo! - o cavaleiro grita, amedrontado. - Eu estava espiando você... satisfeito?!

O espectro pára os movimentos de Albafica, olhando em seus olhos, pensativo.

- Isso não é o suficiente! - volta a movimentar o cavaleiro, fazendo com que termine de tirar a peça íntima e a jogue no chão.

- Maldito! - os olhos do cavaleiro ficam marejados, mas mesmo assim, não perdem seu espírito indomável. - Eu... eu...

"Mesmo com tudo isso, ele mantém esse olhar selvagem? Albafica, como pode manter tanto orgulho assim?" - pensa o espectro, intrigado.

- Eu estou confuso... - o pisciano finalmente reconhece seus sentimentos, enquanto abaixa levemente a cabeça, deixando que a franja lhe cubra os olhos.

- E quanto a sua acusação? - o juiz franze os cenhos e o fita, de forma pretensiosa.

- Me... - Albafica trinca os dentes, tentando se controlar para não chorar. Aquela humilhação fez seu orgulho em pedaços. - Desculpe. - vira o rosto, enquanto fala com desprezo.

- Hum... - o espectro fica em silêncio por alguns instantes. Logo, Albafica geme, ao sentir um forte solavanco, que o joga em algo muito macio e fofo. Minos havia jogado o cavaleiro em sua cama e ainda mantinha controle sobre todo o seu corpo, paralisando-o com os braços dobrados na altura da cabeça.

- O que você está fazendo?! - o cavaleiro fala, desesperado.

- Me diga Albafica, mas tome muito cuidado com o que dirá, pois essa será minha última pergunta e depois disso, não voltarei atrás em meus atos. - Minos se aproxima lentamente da cama e senta-se nela, deslizando como um felino até bem próximo a Albafica, fazendo com que seus rostos fiquem muito próximos, enquanto apóia a cabeça sobre a mão e o cotovelo no macio colchão, fitando-o. - O beijo do jantar... diga-me a verdade!

- Eu... eu...  - aquela pergunta desarma o pisciano, que fica completamente corado.

- Diga! - Minos sussurra em seu ouvido, num tom baixo e sedutor.

- Foi apenas um beijo... - Albafica responde, com receio. Teme que se disser algo mais, Minos leve a frente o que está fazendo.

- "Apenas um beijo..." - o espectro mexe alguns dedos, fazendo com que uma das mãos de Albafica desça, acariciando levemente o próprio corpo, indo até seu membro e o massageando levemente.

- Não... não faça isso! Isso não! - Albafica entra de desespero ao sentir sua mão segurar delicadamente o próprio pênis. - Pare com isso!

- Diga a verdade, Albafica. - o espectro passa a ponta do nariz delicadamente no pescoço do cavaleiro, enquanto sussurra, fazendo-o se arrepiar e enrubescer ainda mais, fechando os olhos. Minos levanta um pouco a cabeça e observa, com o canto dos olhos, o membro de Albafica, que já estava ereto, enquanto o cavaleiro se masturbava.

- Eu... Ahh... - Albafica não se agüenta. Morde os lábios e solta uns gemidos de tesão quando Minos aumenta um pouco a velocidade dos movimentos de sua mão, dando-lhe mais prazer. - Aah... ahh... Minoosss...

- Diga-me... a verdade, alva rosa... - o sussurro de Minos se torna doce e sedutor, enquanto continua a controlar os movimentos da mão do cavaleiro, observando-o se contorcer e abrir um pouco sua boca, enquanto geme.

- Aaah... - o pisciano não consegue mais pensar em nada, seu corpo reage cada vez mais à sua libido, se arrepiando.

Minos aproxima os lábios, passando-os levemente contra os de Albafica, sem o beijar, cuidando para manter os movimentos da mão do cavaleiro. Albafica está em êxtase, completamente vermelho e ofegante. Seus gemidos se tornam cada vez mais intensos e seu corpo estremece levemente, dando sinais de que está chegando ao ápice do prazer. Quando o pisciano joga a cabeça para trás, sentindo seu corpo todo se aquecer e pulsar, Minos faz com que sua mão segure a glande de seu pênis, apertando-a um pouco, evitando que o cavaleiro ejacule, saindo apenas um pouco de sêmen, que escorre pelos dedos do pisciano. O cavaleiro geme alto, em protesto, enquanto sente seu membro latejar.

- Aaah... ahhh... Minos... Minos... pare... pare... isso dói... - geme o cavaleiro, virando seu rosto para o espectro e sentindo seu próprio membro pulsar em sua mão trêmula. Na verdade, ele não queria que Minos parasse, e sim, o deixasse chegar ao orgasmo.

- Se me disser a verdade, Albafica... talvez eu pense em parar... lembre-se do que eu disse. - Minos faz Albafica levar a mão até sua boca e lambe seus dedos lambuzados, chupando-os um a um, deliciando-se com o gosto do cavaleiro. Está completamente excitado e ofegante. Os gemidos do pisciano lhe proporcionavam um prazer inigualável. Mas ele não daria o braço a torcer. Lutava contra todas as células de seu corpo, que o intimavam a tomar aquele jovem para si.

- Eu... estava... Aah... - Albafica dá um longo suspiro e passa a língua em seu lábio inferior, tentando se controlar. Seus olhos imploravam que Minos terminasse logo com aquilo.

- Tem exatamente o tempo desse beijo para pensar. Se não me disser a verdade... eu o tomarei agora mesmo. - Griffon o beija carinhosamente, mas com certa voracidade. Não agüentava mais ficar apenas observando aquela boca semi-aberta, que ofegava de prazer.

- Você não ousaria... - Albafica tenta protestar, mas é calado pelo beijo do espectro, que volta a manipular a mão do cavaleiro, fazendo-o se masturbar novamente, com movimentos lentos e gentis.

Griffon introduz cuidadosamente a língua na delicada cavidade úmida, explorando cada cantinho e procurando pela língua do cavaleiro. Albafica se contorce um pouco e tenta falar, mas não consegue. O beijo se prolonga, até que Albafica acaba cedendo.

"Não consigo... é inútil... não posso lutar contra isso, é mais forte que eu." – pensa, enquanto timidamente reage, entrelaçando sua língua a dele num cálido beijo e relaxa seu corpo, gemendo de excitação, com os movimentos lentos que sua mão ainda era obrigada a fazer.

Griffon, aos poucos, solta Albafica de sua manipulação, de maneira imperceptível, até que não haja mais controle algum sobre o cavaleiro. O beija com intensidade, abraçando e puxando-o para si. O pisciano está tão absorto nos lábios de Minos, que não percebe que está solto e continua beijando o espectro, ainda com mais intensidade e desejo, parando seus movimentos e, involuntariamente, levando uma de suas mãos à nuca do juiz, o segurando com força e puxando-o mais para perto. Ele sequer repara na outra mão, que por impulso, vai ás costas de Minos, abraçando-o. O pisciano gira seu corpo, levando as costas de Griffon à cama, enquanto geme e aumenta ainda mais a intensidade do beijo. Por vezes, mordendo delicadamente o lábio inferior do espectro, por outras, explorando a cavidade com sua língua até encontrar seu par novamente, serpenteando junto a ele.

"Esse maldito! Como ele consegue me fazer perder a cabeça assim?!" - Minos pensa, enquanto se perde nos braços de Albafica.

O juiz abraça Albafica com mais força, enquanto continua o caloroso beijo. Agora, Minos não consegue pensar mais em nada, apenas se entrega aos lábios macios do pisciano, que o devoram avidamente, enquanto acaricia delicadamente suas costas. Ele está completamente excitado, ofegante e seu corpo, arrepiado e febril. Seus batimentos cardíacos estão muito acelerados.

Albafica pára o beijo, se distanciando um pouco para fitar o juiz. Um filetezinho de saliva se forma, ligando os lábios dos dois, que estavam completamente ofegantes. O cavaleiro fica maravilhado com a expressão de prazer e sofreguidão do espectro, está completamente hipnotizado por seu olhar sedento. O pisciano se ajeita, ficando sobre o abdômen do juiz, com as pernas dobradas em paralelo ao seu corpo, então leva os lábios à maçã de seu rosto, deslizando delicadamente por ela. Enquanto Minos geme baixinho e fecha os olhos, virando levemente a cabeça e oferecendo-lhe o pescoço. O espectro relaxa o corpo e desliza suas mãos pelas costas do cavaleiro, deixando-as cair sobre o colchão. Albafica percorre toda a extensão do pescoço de Minos com sua língua, dando algumas mordiscadas em sua pele, fazendo o espectro gemer alto de excitação, enquanto joga a cabeça para trás, afundando-a no travesseiro. Isso faz com que o pisciano fique ainda mais excitado e se empolgue, descendo seus lábios em pequenos chupões até peito do juiz, enquanto abre delicadamente o roupão de banho que ele ainda vestia. Minos fecha os olhos, está em êxtase. Sente seu corpo se arrepiar e latejar de desejo quando Albafica morde timidamente seu mamilo, o chupando em seguida.

- Minos... - Albafica sussurra ofegante o nome do juiz e volta a morder seu corpo, deslizando suas mãos pelas laterais.

- Aaah... pare... Aah... - o espectro sussurra inaldivelmente, dando mais um gemido alto quando Albafica vai ao seu outro mamilo e o morde com um pouco mais de força, lambendo-o em movimento circulares. Abre os olhos, fitando o pisciano com desejo, estava muito ofegante. Albafica continua as carícias, pois estava tão excitado que nem escuta as palavras do juiz.

- Aah... ahh... pare Albafica! - Minos tenta se controlar a todo custo, aumentando um pouco o tom de voz. Está no auge de sua excitação, não consegue controlar seu fôlego e seus gemidos. Mandar Albafica parar era uma luta ferrenha entre sua razão e emoção. - Ah... pare agora! - diz em um tom autoritário, enquanto tenta recuperar o fôlego entre um gemido e outro. Segura as mãos de Albafica para impedir que desçam ainda mais e o afasta de si.

- O que foi? – ofegante, o pisciano acata a ordem, se afastando de Minos e o fita, confuso.

Griffon solta as mãos de Albafica, ainda fazendo força para controlar seus instintos e não tomar o corpo a sua frente. Fecha os olhos por alguns segundos, levando as mãos ao rosto e volta a fitar o santo de Atena.

- Diga Albafica, diga que eu estou te forçando agora! – balbucia, ainda exaltado e ofegante de excitação. - Diga que eu o forcei a me beijar na sala de jantar! - respira fundo para continuar se contendo.

- Você me forçou... - Albafica responde no reflexo, num tom baixinho.

- Eu estou te segurando, Albafica? - Minos o fita seriamente. Suas mãos voltam a descansar sobre o colchão.

- Eu... eu... - Albafica cai em si e não sabe o que dizer.

- Eu o segurei na sala de jantar? Usei de força com você quando lhe dei aquele beijo? - Griffon estreita seus olhos. Na realidade, ele não está se agüentando de desejo por Albafica. - Estou te forçando agora?

- Não... - o pisciano desvia o olhar. - Você... não está me forçando. - sente uma pontada em seu coração e fica completamente rubro de vergonha.

- Vai manter o que você me disse? Que usei de meios escusos para que me beijasse naquele jantar?

- Não... você não me forçou... - o pisciano diz a verdade, completamente constrangido.

- Eu acabei de provar que se quisesse te tomar para mim, poderia fazer a qualquer momento! - Minos firma seu tom de voz e volta a mostrar certa serenidade. - Agora Albafica, quero que se retire de minha cama. - fala num tom baixo, mas autoritário.

- O que?! - Albafica não consegue acreditar no que acabou de escutar.

- Eu mandei você sair! - Minos sente dor no coração ao falar isso. Ele está lutando com todas as suas forças contra seus instintos, que dizem para agarrar aquele pisciano e tomá-lo de uma vez. - Não vou admitir que alguém que se desfaz do meu cavalheirismo deite-se comigo. Saia! - o espectro aponta o dedo indicador para o lado, confirmando a ordem num tom rude, enquanto pensa, irritado consigo mesmo. - "Esse homem quase me fez perder a cabeça... o que ele tem que me seduz tanto?"

Albafica abaixa a cabeça e se levanta, sem dizer uma palavra. Caminha até o local onde suas roupas estão jogadas e as cata. Em seguida vai em direção ao banheiro, leva a mão à porta e dá uma olhada para trás, fitando Minos, que ainda o observava. O espectro ainda está muito ofegante e agora sente uma dorzinha chata, devido à excitação que o incomoda. Seu membro lateja, implorando por alívio, e seu coração febril pede com urgência que Minos vá ao cavaleiro e o puxe de volta para a cama. Mas o juiz vira-se de bruços e, invocado, joga o travesseiro sobre sua cabeça. Lágrimas escorrem dos olhos do pisciano, que entra no banheiro para se lavar. Nunca imaginou que um dia seria tão humilhado, está se sentindo um lixo. Ele tranca a porta, encostando-se a ela e deixando seu corpo escorregar até o chão. E ali permanece por um bom tempo, sentado e abraçado às suas pernas encolhidas, enquanto chora suas mágoas.




Finalmente Minos é ofendido e tem seu orgulho ferido com as acusações de albafica dando o troco.Por outro lado o pisciano foi totalmente humilhado, teve seus sentimentos espizinhados e massacrados por minos... Ambos feridos e magoados, como será sua convivência de agora em diante? Será que algo pode amenizar tanto ressentimento?

Próximo capítulo: "Inimigo Meu."

Aguardem

Minos de Griffon

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