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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Rosa Selvagem - Capítulo 8 - "Mágoas Passadas"

"Mágoas passadas"

Já havia se passado horas e, já mais calmo, Albafica se encontrava sentado no chão, contemplando o recinto com certa admiração. Agora que se encontrava só e tinha um pouco de "paz", admirava todo o ambiente, que era realmente majestoso e com a limpeza, parecia mais belo e agradável. O perfume de limpeza o fazia relaxar. Não que antes o local estivesse "sujo", mas devido a tudo que aconteceu, o cavaleiro nem reparou em toda aquela grandiosidade e beleza. Além do mais, ele estava buscando algo para se distrair e apaziguar seu espírito, que ainda estava agitado
A porta do escritório se abre, interrompendo a divagação de Albafica, que rapidamente volta a atenção em sua direção. Byako sai do escritório, fitando-o serenamente. Num impulso, o cavaleiro levanta a cabeça e acirra os punhos, mas logo se acalma, relaxando um pouco ao ver que se tratava do espectro de Necromancer. O espectro se aproxima lentamente, de forma cautelosa, pois não sabe qual reação o pisciano terá. Pára próximo a Albafica, com a mão no queixo, analisando o pisciano, que permanece imóvel. Byako ainda está intrigado com o comportamento estranho que o cavaleiro tivera mais cedo.
- Minos-sama ordenou que eu cuidasse de ti. - Byako fala um pouco contrariado, num tom baixo e sereno. - Pediu que eu o preparasse para mais tarde.
- Preparar para que? - o jovem pergunta, num tom baixo, mas firme. - "O que ele pretende desta vez?" – pensa, temeroso.
- Estou apenas cumprindo ordens. O que Minos-sama pretende fazer não é de minha alçada. Sempre cuidei dos interesses pessoais de meu mestre, pois ele confia em minha discrição e competência. Portanto, por favor, não me cause problemas e apenas faça o que eu lhe pedir. - Byako responde, num tom seco, o fitando serenamente.
- Eu não pisarei em meu orgulho por causa do seu "mestre"! - Albafica responde, num tom frio e seco, voltando à sua postura firme, enquanto levanta a cabeça, fitando o espectro com seu olhar indomável e arredio.
- Hunf, não seja soberbo. Se alguém aqui está "pisando" em seu orgulho, sou eu. Me rebaixar a cuidar de um dos cavaleiros que me levaram à morte é, no mínimo, ultrajante! Se eu o faço, é por lealdade a Minos-sama, pois por mim, você nem teria saído do Cocytos. -  Byako retruca de forma rude, mas mantém o tom de voz baixo e sua expressão séria. - Agora, levante-se! E então, cumprirei minhas ordens e irei embora logo.
Albafica pensa por alguns segundos e depois de um longo suspiro, levanta-se, fitando o espectro e responde num tom sério, mas desanimado:
- O que quer que eu faça?
- Minos-sama ordenou que se banhasse e se trocasse. Ele o quer pronto em, no máximo, uma hora. Eu apenas irei te auxiliar e vigiar, visto que não conhece nada aqui. - Byako pega a chave que Minos lhe entregou e se abaixa, levando suas mãos ao cadeado, abrindo-o. - Vamos, vou levá-lo ao banho. - fala calmamente, indo em direção ao banheiro.
- Por favor... eu... gostaria de tomar meu banho sozinho. Não me sinto à vontade com alguém me observando... - enquanto fala, Albafica fecha os olhos levemente, com pesar e vergonha. O banho havia sido uma ótima idéia, pois desde que sentiu o toque daquele espectro nojento, estava se sentindo imundo, mesmo que o maldito apenas tenha segurado seus cabelos. Mas pensar que Byako o vigiaria todo o tempo o deixa temeroso e encabulado, embora o espectro de Necromancer passe certa tranquilidade e confiança.
- Não me importo, desde que não demore. Tem vinte minutos para banhar-se. Se não sair de lá neste tempo, irei buscá-lo. É bom que não tente nenhuma gracinha, pois esperarei aqui. - Byako pára, virando-se para Albafica. Solta a corrente no chão, cruzando os braços e fitando o pisciano, que não demora a ir para o banheiro.
O cavaleiro se despe rapidamente e pega os sais de banho e shampoo, indo ao caldarium. Estava louco para se limpar. Pensava que, talvez depois de um banho, conseguiria se sentir melhor. Durante o banho, o pisciano se perde em suas dúvidas e temores. Estava atormentado com o que viria logo mais.
"O que Minos pretende fazer comigo agora? Para que ele quer que eu me prepare? A educação que tem comigo, mesmo eu sendo um escravo aos seus olhos... o que significa tudo isso afinal? Tudo aqui é tão estranho... espectros engraçados, outros frios e distantes, outros completamente maléficos, uma variedade contrastante. Esse espectro... Byako, é diferente, me trata com certo "respeito". Será que Minos ordenou que ele me tratasse assim?" - um flash do ocorrido com o espectro desconhecido vem em sua mente, o fazendo estremecer. – “Espero que aquele maldito nunca mais apareça aqui." - trinca os dentes, com ódio e revolta. - "Até quando conseguirei suportar toda essa humilhação? Faz apenas dois dias que estou aqui e sinto como se fosse uma eternidade.”
Seus pensamentos são subitamente interrompidos quando Byako adentra o local, falando num tom calmo, mas um pouco alto:
- Por que ainda não saiu daí? Ande! Seu tempo acabou. Já se passaram mais de vinte minutos. – o espectro retorna logo para o quarto, sem esperar qualquer resposta do cavaleiro.
Albafica, que havia se encolhido e estava rubro de vergonha, dá um último mergulho, enxaguando o shampoo de seus cabelos e sai do caldarium, indo até as toalhas e se enxugando às pressas, enrolando uma toalha em sua cintura. Ele não queria que o espectro de Necromancer voltasse e o encontrasse nu, fora d'água. Logo, o santo de Atena vai ao quarto e fita Byako, esperando calmamente. O espectro caminha até uma das cortinas que enfeitavam a parede do quarto e a puxa, revelando uma porta.
- Siga-me! - Byako abre a porta, fitando o rapaz.
- Onde pretende me levar? - diz Albafica, apreensivo.
- Minos-sama me deu instruções para vesti-lo adequadamente. Este local é um closet, é aqui que irá se preparar. - Byako explica pacientemente. - Agora venha, não resta muito tempo. - ao terminar de explicar, Byako entra pela porta e Albafica o segue, ainda temeroso. Logo, variadas velas em grandes castiçais presos à parede se acendem sozinhas.
A luz das velas revela várias roupas suntuosas, penduradas cuidadosamente por toda a extensão da parede de lambri. Também havia um armário embutido ao lado da entrada, suas portas eram de carvalho talhadas à mão. No fundo, havia uma grande penteadeira esculpida em marfim. O chão era de tábua corrida, tão brilhoso, que se podia ver o próprio reflexo.
Albafica não consegue deixar de admirar o local. Um sorriso discreto floresce em seu rosto, enquanto ele contempla o lugar com admiração e alívio.
- "Apesar de tudo, devo admitir... Minos tem muito bom gosto, algo realmente refinado." – pensa, enquanto admira todos os detalhes, relaxando.
Byako vai até uma das paredes, tocando peça por peça com zelo.
- Hum... vejamos... tenho certeza que está por aqui... aqui está! - puxa uma peça de roupa longa, de pura seda branca, sem gola e de mangas largas, toda bordada a ouro em suas extremidades e na linha dos botões, que pareciam ser de prata entalhada com brilhantes. - Tome, vista-se! - estica o cabide com a roupa na direção do cavaleiro.
Albafica pega a peça com certo receio, mas por hora, estava bem mais aliviado.
"Por que minos faz questão de toda essa cerimônia?" - questiona a si mesmo. Aquele tratamento era de fato duvidoso e isso o assustava.
O espectro de Necromancer vai até à sapateira, que ocupava toda a extensão das paredes e ia mais ou menos do chão aos seus joelhos, e puxa uma das inúmeras sandálias que haviam lá. O calçado era de tiras de couro, com várias amarras e detalhes em ouro.
- Aqui está! - nesse momento, pode-se escutar a porta do escritório se abrir e fechar em seguida. - Me parece que Minos-sama já está aqui. - Byako diz, voltando seu olhar para a porta do closet. Mas Minos não aparece. - Ande logo, vista-se. Temos pouco tempo.
- Eu peço licença... - diz Albafica, que está levemente enrubescido.
- Sinto muito, mas não vou incomodar Minos-sama com minha presença. Virarei de costas, portanto, vista-se. - rebate o espectro, virando-se de costas para o jovem. – “Que cara estranho... nunca vi tanto pudor vindo de um homem. O que ele pensa, afinal? Que vou ficar admirando seu corpo? Hunf!" – pensa, um pouco indignado, enquanto vai até o armário, o abre e pega uma peça intima, jogando-a para Albafica e voltando a virar-se para o lado oposto ao jovem.
O santo de Atena dá um pequeno sorriso torto e conformado. Na verdade, ele estava apreensivo e tenso, desde que escutou a porta do escritório se abrir. A cada segundo que se aproxima o momento de se encontrar com Minos, suas dúvidas e medos o atormentam ainda mais. Porém, Albafica tenta manter sua respiração compassada e leve, para assim permanecer calmo e esconder suas preocupações e temores. O cavaleiro se veste cuidadosamente, observando receoso o espectro, que permanecia virado para o armário.
- Por favor, não demore. - diz Byako, num tom seco e baixo. O espectro está tenso, pois sabe que se atrasou.
- Se seu mestre faz tanta questão disso, ele que aprenda a esperar. - Albafica responde secamente, enquanto termina de se vestir. Pega as sandálias e as calça com delicadeza, apoiando um dos pés sobre a sapateira e depois o outro. Logo depois, se senta calmamente, pegando a escova e penteando delicadamente suas madeixas. Quando termina, se levanta fitando o espectro, que ainda se encontra de costas e demonstra um pouco de nervosismo.
- Estou pronto. - o pisciano fala calmamente ao espectro, que se vira e o analisa com um olhar clínico.
- Ótimo, meu trabalho aqui acabou. Agora vá para o quarto e espere por Minos-sama.
A ordem do espectro deixa Albafica um pouco irritado, mas ele resolve apenas ignorar, pois estava curioso e tbm temeroso, precisava saber o que o aguardava. O espectro já ia se retirar, quando o cavaleiro o segura pelo ombro.
- Espere! Por favor, me diga o que é tudo isto. Por que Minos fez questão que eu me arrumasse? O que ele vai fazer comigo? - esta incerteza havia corroído tanto sua mente, que não se aguentou e resolveu perguntar a Byako, que aos seus olhos, parecia mais civilizado que os outros. E também, se o espectro não dissesse, não havia mais ninguém a perguntar.
O espectro dá um pigarro e responde, no mesmo tom sério de sempre:
- Eu já lhe disse, só cumpro ordens. Minos-sama não me diz suas pretensões e, mesmo que eu soubesse, não diria nada que não fui autorizado a dizer. Com sua licença. - o espectro vira fumaça e desaparece.
- Droga, não sei por que perguntei se já sabia a resposta. - o santo de Atena caminha pensativo em direção ao quarto, em passos lentos e preguiçosos. Ele não faz idéia do que Minos fará e não tem muita pressa em descobrir. Quando passa pela porta, tromba com Minos, que vestia seu roupão de banho e secava seus cabelos com uma toalha, enquanto andava em direção ao closet.
- Desculpa! - fala no reflexo.
- Não, eu que não prestei atenção por onde and... - Minos para de falar subitamente ao tirar a toalha do rosto e olhar para Albafica, que estava bem próximo e ainda apoiava as duas mãos em seu peito. O cavaleiro estava exuberante, seus olhos azuis-escuros e sua pele alva sobressaíam ainda mais com aquela túnica romana branca e dourada.
Por outro lado, Albafica permanecia imóvel e o fitava diretamente nos olhos, sentindo um frio na barriga e se perdendo naquelas belas íris arroxeadas, que o fitavam com espanto.
- Albafica, vo-você... - Minos fica sem palavras e permanece petrificado, fitando Albafica, o que o deixa mais apreensivo e tenso. - Está lindo! – balbucia, quase inaudivelmente.
- Co-como?! - o cavaleiro fica perplexo e não acredita no que acaba de escutar. Ganhar um elogio tão sincero de Minos era algo que considerava impossível.
- Eu... é... preciso me arrumar, me dê licença. - Minos segura Albafica gentilmente pelos braços, o rodando consigo para a direção oposta à porta e passa por ela rapidamente, se trancando no closet.
- O que deu nele? - parado de cara pra porta, o cavaleiro pergunta a si mesmo, dando um suspiro desanimado em seguida. - Este homem é tão estranho... uma hora me tortura, outra me elogia. Não sei o que pensar dele. - balbucia.
Não demora muito, Minos sai do closet, já arrumado. Vestia uma túnica de veludo negro sem botões, com bordados em prata em suas extremidades e gola baixa, com uma faixa na cintura, também negra e bordada. Calçava uma sandália de dedo feita de couro, com alguns detalhes prateados e discretos. Estava realmente muito elegante e perfumado, como sempre.
O juiz se sentia bem melhor, a dor de cabeça que o aflige diminuiu um pouco de intensidade, assim como os espasmos se tornaram mais leves e menos constantes. A dor e febre também haviam diminuído. Isso o deixou de bom humor. Ele pára próximo a Albafica, que se encontrava de costas, com os braços cruzados, olhando pela janela, e o fita por algum tempo.
- Vamos. - Minos fala num tom baixo, chamando a atenção de Albafica, que estava distraído em pensamentos e, então, se vira em sua direção.
- Não irei a lugar nenhum por minha própria vontade se não me disser o que está acontecendo. - Albafica diz, num tom incisivo.
- O que quer saber? - Griffon vira os olhos e responde, após um longo suspiro, tentando manter a calma e paciência. - Pergunte e, se eu achar que deve saber, responderei. - mantém um tom sereno, cruzando os braços e fitando Albafica diretamente nos olhos.
- Por que mandou que eu me arrumasse desse jeito tão pomposo se me considera apenas um escravo? Para que tudo isso? O que você pretende afinal, Minos? - Albafica pergunta, tentando manter um tom sério e imponente. Mas na verdade, depois das ameaças que ouviu no dia anterior e o trauma do ocorrido com o espectro desconhecido, está com medo da resposta.
- Ah... é isso... - Minos pensa por alguns segundos e torna a falar no mesmo tom paciente de antes. - Albafica, você é meu escravo pessoal, dorme em meus aposentos e estará sempre comigo. Caso não tenha percebido, sou uma pessoa que gosta de higiene, beleza e luxo. Não permitiria que alguém próximo a mim permanecesse mal vestido ou sujo. Respondi sua pergunta agora? – explica, enquanto fita o cavaleiro com serenidade.
- Entendo... foi uma resposta convincente, você tem razão. - o santo de Atena abaixa um pouco a cabeça, ponderando as palavras de Minos, mas logo volta a fitar o juiz com o mesmo olhar indomável de sempre. Embora ainda esteja temeroso, a resposta de Minos o tranquilizou um pouco. - Para onde vai me levar?
- Venha comigo e você verá. - o juiz abre um sorriso pretensioso, mas olha serenamente para Albafica. - Se isso é tudo, vamos. - Minos caminha em direção a outra cortina e a puxa, revelando outra porta.
"Quantas portas tem neste cômodo? Eu nunca imaginaria que estas cortinas escondessem tantas saídas..." - o cavaleiro pensa, intrigado, enquanto segue Minos a passos lentos.
Griffon abre a porta e entra por ela, deixando-a entreaberta. Não demora muito para Albafica segui-lo e abrir a porta.
"Um jantar?" - pensa atônito, enquanto fita a gigantesca mesa da sala de jantar. Havia alguns castiçais sobre ela e toda espécie de comida: grãos, saladas, e carnes. Desde cordeiro, pato com laranja e postas de salmão assados na brasa, a ensopados. Uma variedade enorme de frutas e três tipos de vinho, branco e tinto secos e tinto suave. O cheiro da comida ia longe e lembrava o pisciano de que não havia comido nada desde que fora ressuscitado. Mal sabia ele que Minos também estava em jejum desde o ocorrido. A sala era toda decorada com grandes quadros de mosaicos e havia candelabros fixados a parede, dando um ar antigo ao local e criando um clima agradável.
Minos caminha até a cabeceira da mesa e senta-se, fitando Albafica e esperando que se aproxime.
- Sente-se, por favor - o espectro fala em um tom educado e cortês para Albafica, que se aproximava.
- Quem mais virá a este jantar? - Albafica pergunta, preocupado em ter de encarar novamente o tal espectro que o deixou em pânico.
- Ninguém, apenas nós dois. - Minos responde com naturalidade à pergunta que julga estranha.
- Isto parece um banquete para mais de cinqüenta pessoas... - Albafica balbucia.
- Bom... Eu não sabia que tipo de comida você gosta, então pedi para trazerem um pouco de cada. Agora se sente, por favor, vamos jantar.
- Obrigado, mas não. - Albafica vira o rosto, fechando os olhos. - Com licença.
- Albafica, eu sei que você é orgulhoso, mas isso já é demais. Estou estendendo minha hospitalidade a você e lhe tratando com toda a minha educação e cortesia. Além do mais, desde que voltou à vida você não comeu nada, com certeza está com fome. Vamos, sente-se e procure manter a paz, pelo menos durante a janta. - o tom de voz de Minos era baixo e sereno, nem parecia o espectro que outrora havia lutado com cavaleiro. O cheiro da comida era muito tentador, o que faz o cavaleiro pensar duas vezes na proposta, pois estava com muita fome.
- Como vou saber se você não está armando alguma coisa contra mim? Não confio em você. Nada me garante que não colocou algo nesta comida... - Albafica rebate, completamente desconfiado de tanta gentileza. - "Manter a paz?! Minos está me propondo uma trégua para este jantar? Mas o que ele está pensando? Isso é ilógico! Não vou cair em seus joguinhos." - o cavaleiro tenta achar um sentido para tudo aquilo, mas não consegue imaginar nada que explique tal atitude.
- Ora, o que eu poderia colocar na comida? Veneno? - o juiz usa um tom sarcástico, enquanto ri baixinho da desconfiança do pisciano. - Ora ora, a rosa venenosa está com medo que eu a envenene... - Minos tenta conter o riso, mas não consegue, o que deixa o cavaleiro um pouco envergonhado e bastante irritado. - Albafica, nem mesmo o veneno de Niobe foi suficiente para deixá-lo tonto... além do mais eu não sou especialista nesse assunto.
- Eu... não sei o que esperar de ti. Além do mais, desde que voltei à vida e perdi meu veneno, não sei mais o que meu corpo pode suportar. Mas não estava me referindo a veneno, pois sei que não tens intenção alguma de me matar. Isso seria muito fácil para você em minhas condições atuais e também seria bom demais para ser verdade.
"Perdeu o veneno? O que ele quis dizer com isso?! Ele exala veneno de seu corpo! Só o vapor de seu perfume seria suficiente para desmaiar qualquer um que cheire seu pescoço. De onde ele tirou isso afinal?" - Minos estreita os olhos intrigado, enquanto escuta Albafica terminar de falar.
- Hum... então pensa que pretendo te drogar... entendo. - diz o juiz, que não se agüenta e ri de vez. Mas logo se controla, ainda intrigado com a afirmação absurda do santo de Atena. - Albafica, ponha uma coisa em sua cabeça: seja o que for que eu pretenda fazer com você, faço questão que estejas em plenas faculdades mentais, portanto, jamais o drogaria. Além do mais, acredite ou não, eu tenho princípios, não me rebaixaria a este nível. Mas, se é assim que pensas, escolha o que quer e me sirva com o mesmo. Agora, por favor, vamos jantar. Passei o dia todo trancado naquele escritório e nem tive tempo para comer algo. - Minos está muito calmo e sorridente, não consegue ficar sério depois do que ouviu.
- Está bem, jantarei contigo. - Albafica suspira e se põe a servir Minos com alguns grãos, verduras e salmão. Coloca o prato na frente do juiz e o fita.
O espectro pega a garrafa de vinho branco seco, a abre com muito cuidado e serve as duas taças sobre a mesa. Dá mais um rizinho discreto, sacudindo levemente a cabeça de forma negativa, o fitando de lado. Degusta o vinho, pega o garfo com delicadeza e se põe a comer. Prova um pouco da salada depois do peixe e por final, os grãos. Depois, fita diretamente Albafica que se mantinha parado, observando-o. Sua classe e boa educação impressionam e sua etiqueta é impecável.
- Vamos, sente-se. Ou acha que coloquei algo na cadeira também? - sorri mais uma vez, quase não se agüentando. - Sirva-se, ou pretende esperar que eu termine meu jantar? "Nunca me diverti tanto com alguém. Embora às vezes me ofenda, é hilário observar o modo como Albafica me vê. Será que todos os servos de Atena nos vêem desse jeito?" - Minos pensa, se divertindo.
"Afinal de contas, o que Minos está tramando? Por que ele faz questão que eu jante com ele? Aonde quer chegar, afinal?" - Albafica pensa, enquanto se senta e serve seu prato.
O espectro o observa discretamente e dá um sorriso de satisfação.
- Albafica... - diz o juiz, pegando um lenço e limpando cuidadosamente a boca
- Minos, se você pretende que eu permaneça nesta mesa, por favor, não diga nada. - Albafica corta Minos num tom frio, voltando a comer. O pisciano era tão refinado quando Minos. Sua educação e etiqueta à mesa não deixavam nada a desejar.
- Hunf... depois eu que sou o rude. - Griffon rebate num tom irônico, ainda sorrindo, depois pega sua taça, beberica o vinho e volta a comer também. O juiz permanece em silêncio, esperando a hora certa para falar, pois está curioso a respeito da história que o pisciano lhe falara.
- Minos, me responda uma coisa com sinceridade... - depois de um bom tempo, Albafica resolve quebrar o silêncio ensurdecedor, dando um sorriso discreto quando essa duvida lhe vêm à mente.
Minos o fita de lado e pára sua refeição, esperando. Pelo sorriso do cavaleiro, com certeza não seria algo digerível.

- Quando viveu na terra, como era a vida de sua esposa ao seu lado? - Albafica fala, enquanto enrola uma folha da salada no garfo, levando-a delicadamente à boca.
Minos abaixa levemente a cabeça e fecha os olhos de forma pretensiosa, respondendo:
- Pasífae tinha tudo que queria. Ela era uma rainha e eu a tratava com todo o carinho e respeito que uma mulher pode ter de um homem. - Minos mantém seu tom de voz inabalável, mas no fundo, aquela pergunta cutucou a sua ferida. O espectro leva um pedaço do peixe à boca, mantendo-se inexpressivo.
- Algum dia você a amou de verdade? - Albafica insiste, enquanto o fita curioso. Ele não consegue imaginar aquele espectro cruel e sádico tendo sentimentos verdadeiros por alguém. Ao mesmo tempo quer provocar algum tipo de reação no juiz.
- Ah... eu a amava. - o juiz responde num tom baixo, pegando o cálice e bebericando o vinho, tentando disfarçar seu abalo. - O que mais quer saber, Albafica? - coloca o cálice na mesa e fita pacientemente o cavaleiro, enquanto leva o lenço à boca. Minos ainda tem febre, dor de cabeça e calafrios. Embora estejam mais amenos, ainda são fortes.
- Isso é tudo... mas é difícil acreditar que o homem que está sentado aqui, um dia foi capaz de amar alguém. Tenho pena dessa mulher, acho que ela teria nojo de se deitar com a pessoa que você se tornou. - Albafica mantém o pequeno sorriso maldoso em seu rosto. Apenas o desfaz quando come mais uma porção de sua salada.
- Me diga Albafica, como descobriu que não é mais venenoso? - mais uma vez leva o cálice à boca, bebendo o líquido, enquanto espera o jovem explicar. Essa pergunta estava martelando a cabeça de Minos desde o início do jantar. Ele estava realmente curioso para saber de onde o pisciano havia tirado tamanha bobagem. Mas ao mesmo tempo, sentia seu coração latejar por causa da provocação do cavaleiro. Sabia que ele havia feito isso para atingi-lo. Albafica finalmente descobriu seu ponto fraco e enfiou o dedo em sua ferida. Com certeza, o espectro queria dar o troco.
- Foi fácil, você me se aproximou de mim, me tocou, cheirou, lambeu meu pescoço, até mesmo me beijou e continua vivo. Se houvesse veneno em meu corpo, com certeza antes mesmo de me beijar, já estaria morto. - Albafica responde a pergunta tentando ser natural, mas não consegue conter sua vergonha ao lembrar-se desse episódio e enrubesce levemente.
Minos se engasga feio com o vinho que está bebendo e quase bota o líquido para fora, mas consegue se conter, colocando a mão na boca. O engasgo, aos poucos, vira uma gargalhada, o que faz com que o santo de Atena pare de comer e o fite, atônito com sua reação. O juiz demora um bom tempo para conseguir parar de rir. Já estava sentindo dores no abdômen por causa disso, fora os espasmos que, mesmo intensos, não foram o suficiente para fazê-lo parar de rir.
- O que é tão engraçado, Minos? - Albafica pergunta, completamente confuso e um pouco ofendido.
- Não... não é nada... - Griffon tenta responder em meio ao seu acesso de riso. - ...desculpe. – responde, depois que consegue se controlar. - É que não pude deixar de imaginar que, sem querer, eu poderia ter me suicidado. – mente, disfarçando, e o faz bem. Na verdade, Minos ria da ingenuidade do cavaleiro, que sequer percebeu que a febre do espectro era uma reação ao seu veneno. Albafica, por sua vez, também não consegue se conter e ri, imaginando Minos morrendo após lamber seu pescoço.
"Ele fica ainda mais belo quando ri..." - o juiz pensa, com um sorriso discreto, enquanto observa o cavaleiro, que ainda está rindo sozinho, perdido em sua imaginação.
Abruptamente, o riso de Albafica cessa e seu semblante se torna sério e entristecido.
- Minos, não entendo como pôde se rebaixar a este ponto... servir a um deus que quer destruir a terra onde viveu... se tornar um espectro cheio de maldade, um ser que não está vivo nem morto... abrir mão de todos os seus sentimentos só para continuar ostentando este teu luxo e continuar vivendo somente para destruir e torturar as pessoas. Isso é monstruoso. Eu... tenho pena de você. - o pisciano fala tudo que está no seu coração, tudo que pensa em relação à Griffon e que até agora guardou para si. Por outro lado, ao escutar essa sentença, Minos sente um grande aperto em seu coração. O pisciano realmente conseguiu descobrir, mesmo que sem querer, como atingi-lo e provocá-lo e isso desperta toda a revolta e ódio que Minos sente pelo cavaleiro.
- "Não posso acreditar que ele me considere tão fútil a ponto de servir meu senhor apenas para me manter vivo e ter meus luxos..." - o espectro está indignado e completamente ofendido. - "Quem ele pensa que é para me julgar dessa forma?!" Diga-me, Albafica, como era sua vida no santuário? - pergunta num tom baixo e educado, fingindo não se importar com os insultos do pisciano. Griffon se afasta um pouco da mesa, apoiando seus cotovelos nos braços da cadeira e cruzando as mãos a sua frente. Seu olhar era penetrante, invadia a alma de Albafica sem pedir permissão.
O santo de Atena abaixa um pouco a cabeça e sua franja cai sobre seus olhos, escondendo-os.
- Por que quer saber? – pergunta, num tom baixo.
- Porque, desde a primeira vez que pus os olhos em ti, percebi uma enorme tristeza em seu olhar. Sinceramente, não entendo como alguém que carrega tanta tristeza pode ter tanta força.
- Você não me conhece... - o cavaleiro trinca os dentes. - eu era feliz, tinha pessoas que me admiravam, que gostavam de mim... - o blefe de Albafica foi facilmente notado por Minos, afinal, ele sabia muito mais sobre o cavaleiro do que Albafica poderia imaginar.
- Entendo... - Minos fecha os olhos e abaixa a cabeça, apoiando o queixo nas mãos cruzadas a sua frente. - Então, porque tanta tristeza? - volta a fitar o cavaleiro, seriamente. Minos está conduzindo a conversa ao ponto aonde quer chegar. Ele está realmente decidido a mostrar ao pisciano como é "bom" julgar as pessoas sem conhecê-las.
O pisciano fica calado, está se sentindo mal com aquela conversa.
- Não devia mentir Albafica. Você mente muito mal e eu odeio mentiras. - o espectro fala calmamente, usando de toda sua psicologia. - Vamos, eu fui sincero com você, então o mínimo que pode fazer é falar a verdade para mim. - fala calmamente, fitando o pisciano.
Albafica suspira desanimado ao ver que Minos não havia engolido o que falou. Ele teria que dizer a verdade, mas se abrir com alguém, principalmente com seu algoz, não é algo que queria fazer.
- Tente imaginar a vida de uma pessoa que se transformou em algo tão venenoso que não podia conviver com alguém, muito menos tocar uma pessoa ou ser tocado. – diz, num tom baixo. O cavaleiro está visivelmente abalado. Volta a comer, tentando disfarçar algo que já era evidente.
- Hunf, não preciso ser venenoso para isso. - o espectro balbucia, entortando a boca. - E quanto ao seu mestre... o que diz sobre isso? Ele também era venenoso?
O garfo simplesmente cai da mão de Albafica, sobre o prato. O santo de Atena sente uma pontada em seu coração.
- Perdi o apetite. - Albafica afasta um pouco a cadeira, mas permanece sentado. - Acho melhor me retirar, este assunto não me agrada. - pega a taça de vinho, bebendo uma boa quantidade.
- Lugonis, não é? O nome do santo de peixes que você matou para receber a armadura de ouro em seu lugar? - Minos mantém seu tom baixo e educado, ele sabia o quão fundo havia tocado na ferida do cavaleiro.
A taça de vinho escorrega da mão de Albafica que tomou um choque com aquela pergunta. Mas antes que a taça se espatife, Minos a pega com rapidez e destreza, evitando que uma gota sequer do líquido caia. O espectro coloca calmamente a taça sobre a mesa e volta a fitar o cavaleiro, que se encontra com os olhos arregalados e completamente trêmulo.
- Co-como ousa... como ousa falar isso, maldito! - num rompante, o pisciano se levanta, colocando suas mãos na mesa, enquanto grita com Minos, que se mantinha sentado e calmo. - Você não sabe nada dessa história!
- Não, você está errado, sei mais sobre você do que pode imaginar. Ao contrário de você, que realmente não sabe nada a meu respeito. Se quer me ferir, Albafica, saiba que eu sei exatamente como atingi-lo. Quanto ao seu passado e a morte de seu mestre, talvez eu vá fazer-lhe uma visitinha no Cocytos, para perguntar diretamente a Lugonis. - o espectro continua imóvel, sentado, com os cotovelos apoiados nos braços das cadeiras, mãos cruzadas à sua frente e seu queixo apoiado sobre elas.
- Você não faria isso! - Albafica estremece. Estava muito alterado, trêmulo e ofegante.
- Se quiser, também posso providenciar-lhe um encontro com Pasífae, assim poderá satisfazer toda a sua curiosidade sobre como eu tratava minha esposa... - Minos levanta a cabeça, fitando seriamente o cavaleiro, mantendo seu tom de voz calmo e baixo. O fita com muita serenidade, aguardando a reação de Albafica.
- Eu não matei meu mestre! Foi o maldito veneno que eu carregava em minhas veias! Eu nunca faria mal a ele! - o pisciano, que estava fora de si, pega Minos pela gola e arma um soco. Então, o cavaleiro nota que no fundo dos olhos de Minos havia dor e fica paralisado, com o punho no ar.
- Albafica... você está gritando isso para mim ou para você mesmo? Teu olhar de culpa é tão evidente que eu o julgaria por assassinato! Tens o mesmo olhar daqueles que atravessam o Aqueronte, o mesmo olhar culpado e vazio daqueles que adentram a sala de julgamento.
O pisciano fecha os olhos, respira fundo tentando se acalmar e abaixa os punhos lentamente, soltando Minos. Afasta-se um pouco, virando-se de costas e abaixando a cabeça.
- Minos... o que aconteceu com meu mestre foi uma fatalidade, um acidente! Eu não imaginava que seria assim, do contrário, nunca teria feito aquilo. É algo que me culpo, me julgo, e sofro por isso.

- Eu sei... - diz o espectro, dando um suspiro. Sempre soube. Tudo isso consta nos autos de seu processo. Eu li. Na verdade, passei esta manhã inteira lendo.
- Hunf... - Albafica dá um sorriso conformado e triste. - seu prazer é me ver sofrendo, adora me ver amargurando dores...
- Não Albafica, eu apenas disse aquilo que você pensa. É verdade que eu o trouxe aqui para humilhá-lo, que o provoquei porque falou sobre Pasífae e feriu meu orgulho, me julgando de forma tão pífia. Mas eu não disse nenhuma mentira, pois é isso que está em seu coração: remorso e culpa.
- Como eu queria dizer que está mentindo... mas não posso. - diz o cavaleiro, se dando por vencido.
- Albafica, você acaba de ver como se julga uma pessoa. Então, se quiser realmente me julgar, faça-o direito. - Minos manteve seu tom calmo e baixo todo esse tempo. Sua expressão era imutável, embora por dentro estivesse bem ferido.
- Tem razão... - o pisciano está completamente entristecido e vulnerável às palavras do juiz. - você tem mesmo o dom de encontrar os sofrimentos e dores no coração das pessoas...
- Se isso te consolar... você não foi julgado por isso. Não cometeu este crime, não teve culpa alguma da morte de seu mestre. O fato de ter vindo ao inferno é somente por se opor ao meu senhor. É por isso que foi condenado ao Cocytos. Todos os santos de Atena, todos os que se opõem à vontade dos deuses, têm este destino.
- Não importa. Para mim, sou completamente culpado. Me sinto culpado, sinto-me o assassino de meu mestre... - o cavaleiro não consegue conter suas lágrimas, que não demoram muito a escorrer por seu rosto. Ele se mantém de costas, pois não quer que Minos o veja chorar. - Lugonis-sensei era mais que um mestre, era um pai para mim. Criou-me com todo o carinho que pôde me dar, me ensinou tudo que sei, foi dedicado a mim. A pessoa que sou hoje devo a ele... por isso, nunca vou me perdoar por ser o responsável por sua morte. - Albafica acirra os punhos. As palavras passavam em sua garganta como se fossem espinhos afiados, que rasgavam sua carne. Seu coração estava em pedaços.
Minos se levanta e caminha calmamente até o santo de Atena. O pega pelos braços, fazendo-o se virar. Leva delicadamente a mão a seu queixo, levantando-o até que possa fitar aqueles tristes e umedecidos olhos azul-escuros.
- Pasífae... era mais que uma simples mulher para mim, mais que uma rainha... ela era minha deusa e eu a amei ao ponto de abdicar do meu orgulho por ela. - Pela primeira vez, Minos deixa transparecer seus sentimentos. Seu olhar era triste e seu tom de voz, baixo e carinhoso. - Mas você não entenderia algo assim, porque para você, espectros são monstros e nunca tiveram uma vida normal na terra... portanto, Albafica... eu lhe peço, não toque mais no nome de minha mulher. - o cosmo de Minos era pura dor e sofrimento.
- Peço o mesmo em relação a meu mestre. - diz o cavaleiro, tentando em vão firmar sua voz.
Os dois permaneceram imóveis, se olhando por um bom tempo. Eles podiam sentir um ao outro, toda sua dor, tristeza e solidão. Naquele momento, descobriram que tinham muito mais em comum do que poderiam imaginar. Minos passa a mão pela cintura do cavaleiro, ao mesmo tempo em que leva a outra à sua nuca, lentamente trazendo-o para si. Com delicadeza, leva seus lábios aos dele.
- O que você... - Albafica arregala os olhos, quando é calado por um beijo cálido e gentil, ficando sem reação.
Minos o beija carinhosamente, abraçando o cavaleiro com ternura e trazendo-o para mais perto de si. Albafica tenta empurrá-lo com as duas mãos, porém, no fundo, o contato e o calor humano que Minos oferece no momento é algo novo e se torna muito agradável e bem-vindo. Não estava acostumado a ter contato com as pessoas. Ainda mais de forma tão íntima.
A língua de Minos, delicadamente, pede passagem em seus lábios, enquanto o espectro fecha os olhos, deixando-se levar pelo momento. O pisciano estremece, mas desta vez não era medo ou algo do tipo, era algo bom que aquecia seu coração e logo espalha seu calor por todo o corpo. O santo de Atena, timidamente, fecha seus olhos e corresponde o beijo de Minos. Permite ter sua delicada boca invadida pela língua quente do juiz, que procura seu par pela cavidade úmida e pequena. Ao encontrar a pequena e frágil língua do cavaleiro, se entrelaça a ela, acariciando-a levemente.
O espectro acaricia o corpo do cavaleiro com toques gentis e muito leves, enquanto se embriaga com o perfume do pisciano. Albafica rende-se completamente ao espectro e o beija com mais vontade, enquanto, hesitante e trêmulo, lentamente o abraça, levando uma das mãos às costas de Minos. A outra mão envolve delicadamente o pescoço febril do juiz que, ao sentir o toque suave de suas mãos, se arrepia, soltando alguns gemidos baixos e o beijando com mais intensidade e paixão.
"O que... eu estou fazendo? Eu... eu..." - uma explosão de sentimentos toma conta de Albafica, o deixando confuso ao se dar conta do que está acontecendo. Seu corpo todo está reagindo ao beijo e carícias de Minos. Ele não consegue se conter, gemendo timidamente ao contato e carícias do juiz.
Minos afasta lentamente seus lábios, fitando Albafica com um olhar carinhoso. Enquanto Albafica ainda permanece por mais alguns instantes com os olhos fechados e, quando os abre, encontra aquelas íris arroxeadas e sedutoras, que invadem sua alma hipnotizando-o. Griffon o fita por algum tempo, levando uma das mãos até seu rosto e acariciando-lhe levemente as maçãs rubras com as costas dos dedos.
- Mi-minos... - Albafica gagueja e não consegue dizer mais nada, permanecendo abraçado com o juiz, enquanto o fita assustado.
Minos o solta lentamente, sem tirar os olhos dele. Dá dois passos para trás ao cair em si. E logo se vira, caminhando em passos rápidos em direção ao quarto. Ele estava fragilizado, se sentia completamente vulnerável. Seus batimentos cardíacos estavam completamente acelerados. Tinha urgência em sair da presença do pisciano.
- "O que aconteceu comigo? Eu... preciso urgentemente sair daqui!" - pensa o espectro, enquanto sai do recinto sob o olhar ainda assustado do cavaleiro, que leva a mão aos lábios, tocando-os levemente.
Albafica escuta a porta do escritório abrir e logo fechar com certa violência, o acordando de seu transe. O santo está pasmo com o acontecido. Boquiaberto, deixa-se cair sentado na cadeira atrás de si e permanece fitando a saída, com um olhar perdido e confuso.



Um beijo. Mas não um beijo cheio de rancor e amargura ou ameaçador. Um beijo sincero que tira o Santo de Atena do eixo ao mesmo tempo que desperta algo a mais no juiz do submundo. Como será a relação dos dois daqui para frente? Será que albafica irá ceder aos encantos do espectro? E minos? Irá finalmente perceber seus verdadeiros sentimentos para com Albafica?

Continuem ligados nos próximos capítulos.

Próximo capítulo: "O Limite do Orgulho"


Minos de Griffon

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