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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Rosa Selvagem - Capítulo 11 - "Beijo Mortal"


"Beijo Mortal"

Passada a explosão, Minos abaixa seu braço, fitando o taurino que, embora estivesse um pouco ensanguentado, permanecia majestoso à sua frente.

Seu coração está mais apertado do que nunca e um mal estar toma conta de sua alma.

- "Mas que diabos é isso, afinal? Mesmo com toda a febre que tive, não senti nada semelhante!" - o juiz está intrigado. Aquela dor não se parece em nada com o sofrimento causado pelo veneno de Albafica. - "Não sinto algo tão ruim assim desde a morte de Asterion..."

- Vou lhe mostrar, espectro, a verdadeira força de Aldebaran de Touro! - o taurino está com seu cosmo ao máximo.

- Eu não tenho mais tempo para brincadeiras, touro. Sinta-se honrado. Há muito não luto a sério com alguém. - Minos estava sério, seu ar de sarcasmo havia desaparecido completamente. O juiz não perde mais tempo e também faz seu cosmo instável explodir. - "Se ele conseguiu quebrar as linhas de meu cosmo, não tenho alternativa senão lutar a sério. Não consigo estabilizar meu cosmo e não tenho tempo a perder, há algo estranho acontecendo!"

- Grande chifre! - Aldebaran ataca com todas as suas forças.

- Idiota! Acha que o mesmo golpe funcionará contra mim?! Ahhh! - Minos parte em direção ao Grande Chifre de Aldebaran, concentrando todo seu cosmo nos punhos. Os golpes se chocam, fazendo um estrondo ensurdecedor, que ecoa como um violento trovão, criando um deslocamento de ar e devastando todo o local. - "Este homem... como pode ter tamanho poder estando nos domínios de Hades-sama?! Não importa, desviar disso não será a solução. Quebrarei este ataque indo de frente contra ele. Com certeza o mais afetado será o touro, que está desprotegido"

- "Então foi com ele que Albafica lutou?! Realmente Albafica, você era muito poderoso..." - ao constatar o poder do juiz, o taurino não pôde deixar de pensar em Albafica, que se sacrificou para matá-lo.

Os cosmos gigantescos medem forças entre si e espalham raios destrutivos causados por seu atrito, até que ambos são arremessados para lados opostos com violência. O taurino é arrastado a uma boa distância, quebrando várias costelas e outros ossos, enquanto desliza pelo solo pedregoso. Minos usa suas asas para ir ao ar e controlar sua queda e sofre apenas alguns ferimentos leves, graças à proteção de sua surplice.

- Entendi... - diz o espectro, pousando no chão e pondo-se a caminhar na direção de Hasgard. - Você alcançou o Arayashiki ao morrer... por isso tem tanto poder assim. Do contrário não conseguiria se opor ao cosmo de meu senhor, que controla os mortos como zumbis, muito menos sobreviver a esta explosão. É uma pena que todo esse cosmo não valha mais de nada, já que está morto. É como eu disse, sem sua armadura você receberá todo o impacto e não aguentará por muito tempo.

- Você devia estar morto! Albafica deu a vida para matá-lo e mesmo assim vejo você aqui de pé, com um corpo de carne, osso e sangue! Acha mesmo que posso aceitar minha morte quando vejo que um amigo que lutou para defender a mesma coisa que eu morreu em vão? - Hasgard se levanta com dificuldade, seu corpo está muito dolorido e ensanguentado. Mas seu cosmo continua no máximo, inabalável.

- Não, meu caro... você está enganado. Albafica não morreu em vão, eu garanto. Ele morreu para cumprir o propósito de seu destino! - seu coração aperta ainda mais ao escutar o taurino falar sobre a fatídica batalha que custou a vida de Albafica. Mas o juiz tenta, em vão, espantar estas lembranças rapidamente de sua mente para se concentrar na batalha. - Além do mais, se estou vivo, culpe a incompetência de sua deusa, que não pôde resistir ao poder de meu senhor e teve sua frágil barreira destruída. Bastaram apenas alguns segundos. Segundos estes, que valeram minha ressurreição.

- O que quer dizer com isso? - Hasgard pergunta, intrigado.

- Quero dizer, caro touro, que se Atena conseguisse segurar a barreira por apenas alguns segundos a mais, eu não estaria aqui. Isso mostra o quanto sua deusa é fraca perante o meu senhor! - Minos pára cerca de dois metros do taurino, fitando-o. Seu cosmo também não se abalou em nada. Ao contrário, ainda se eleva, criando uma forte corrente de ar à sua volta.

- Me refiro ao que disse sobre Albafica.

- Você não entenderia, isso não importa. Vamos acabar com isso! - agora é a vez de Minos tomar a dianteira e atacar.

Hasgard reage e ambos trocam socos e chutes, concentrando todo o cosmo em seus membros. A cada golpe, um estrondo, seguido por uma forte luz mesclada em dourado e púrpura. Para quem vê de longe é um espetáculo magnífico.

- Argh! - Minos sente uma pontada muito forte no peito quando a imagem de Albafica lhe vem à mente e perde a concentração, levando um soco direto que Aldebaran desferiu em seu rosto, fazendo-o ir ao chão e arrastar-se por alguns metros.

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Albafica cai de costas no chão a uns dois passos do espectro. Ao tentar se levantar é puxado pela gola da camisa e o espectro o aproxima de seu rosto. Ao sentir o calor da respiração do maldito, vira o rosto, no reflexo causado pelo nojo que sente.

- Achou mesmo que uma simples porta me deteria, cavaleiro? - o espectro pergunta, com um sorriso carregado de intenções macabras, enquanto eleva Albafica, tirando seus pés do chão.

- Você me esperou sair do banheiro porque não queria quebrar a porta, do contrário, já a teria arrombando desde o início! - diz Albafica, num tom esganado, se debatendo e tentando se soltar.

- Muito esperto... mas você se esqueceu que não tem forças para lidar comigo... - o espectro acentua mais o sorriso, enquanto seus olhos percorrem o rosto do cavaleiro.

- Você pode ser um espectro e ter cosmo... mas ainda tem um corpo humano e frágil! - Albafica sorri maliciosamente e leva seu dedo indicador com toda a força contra o olho esquerdo do espectro, já que no direito tinha um tapa-olho. A reação do espectro é rápida, mas não tanto, e acaba por ser atingido superficialmente pelo golpe, soltando-o.

- Ahhh! Maldito! - o espectro grita de dor, colocando a mão no olho ferido. Um pouco de sangue escorre por seus dedos.

O santo de Atena aproveita a oportunidade e o soca com toda a força que tem, fazendo o espectro perder o equilíbrio e dar uns passos para trás, abrindo passagem. O pisciano corre o mais rápido que pode em direção à saída do quarto, rezando para que a porta esteja destrancada. Quando chega nela, vira a maçaneta e a abre. Mas antes que pudesse dar um passo sequer, a porta é fechada rapidamente por um empurrão do espectro, que já estava atrás de Albafica. Mais uma vez o cavaleiro é golpeado no estômago, indo ao chão e deslizando pelo piso liso até a parede oposta do quarto, onde bate de costas com muita violência. Ele se contorce de dor, colocando a mão sobre o local golpeado.

- Seu maldito! - Albafica grita de ódio, se levantando com dificuldade e apoiando-se na parede, enquanto o espectro anda calmamente em sua direção.

- Eu vou surrar você até que não possa mais se mexer e depois vou violentá-lo! - o espectro estava possuído pelo ódio, seu olho sangrava e tinha um brilho vermelho. Seu cosmo, que permanecia baixo, era completamente obscuro.

Albafica está em pânico, mal consegue raciocinar e volta a tentar correr para longe do homem. Mas dessa vez não consegue dar um passo sequer. É golpeado na boca, batendo a cabeça na parede com muita força e vai novamente ao chão.

- Argh! - o cavaleiro dá alguns gemidos de dor e fica tonto ao tomar três fortes pancadas na cabeça. Permanece no chão, ofegante. - "Maldito espectro! O que eu faço? O que? Eu não posso fazer nada!” - a imagem do juiz é tudo que vem à sua cabeça nesse momento de agonia. - "Minos! Me ajude!"

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- "Mas o que está acontecendo, afinal?! Que merda é essa que estou sentindo?! Esse aperto que corrói meu coração... essa dor, essa preocupação! Não posso lutar assim!" - Minos está caído ao chão a cerca de dez metros do taurino. Havia deixado um rastro no chão pedregoso, tamanha a força com que fora arremessado. – “Isso não faz sentido algum, o que está acontecendo? O que?! Droga! Vou acabar morrendo se continuar tão desconcentrado!" - mais uma vez, Minos se levanta e volta a fitar Hasgard, que caminhava em sua direção. Ser arremessado daquela forma feriu mais ainda seu orgulho, pois era a segunda vez que isso acontecia nesta batalha. - "Albafica, seu maldito! Já me basta o que passei por causa de seu veneno e agora isso?! É culpa sua!"

- Você... é poderoso, mas... há algo tirando sua concentração. Seu cosmo está instável e às vezes percebo que sua mente está em outro lugar. O que te preocupa tanto, espectro?

- Hunf! Isso não importa! - Minos eleva novamente seu cosmo, se esforçando em vão para estabilizá-lo. - Com meu cosmo instável ou não, irei te derrotar!

- Como quiser, juiz. - Aldebaran ataca novamente. - Grande chifre!

Griffon some no clarão e o golpe passa direto, explodindo uma parede rochosa ao longe.

- Acha que o mesmo golpe vai funcionar contra mim? - o juiz havia usado uma grande velocidade e agora se encontrava atrás do taurino.

- O que?! - Aldebaran não tem tempo de se virar e é golpeado com um chute potente, que o arremessa contra um grande rochedo que havia bem longe dali, partindo-o em pedaços.

- Essa sua postura desdenhosa nada mais é do que uma posição de ataque e defesa... no momento que a quebrei, este ataque não surte mais efeito. Você perdeu tempo para se posicionar e atacar, portanto, me deu chance de esquivar. Além do mais, como eu já vi através de sua técnica... mantendo ou não esta postura, não conseguirá mais me atingir, cavaleiro. - Minos volta ao seu tom calmo e controlado, mas na verdade, sua angústia aumenta a cada minuto que se passa. - Agora basta! Chegou o momento de acabarmos com isso de uma vez! Não tenho mais tempo para perder com você! - o juiz explode seu cosmo ao máximo, criando uma forte ventania. E dá mais uma olhada na direção da casa do julgamento - "Seja o que for que está me perturbando, vem de lá!"

- Vamos! - Aldebaran se levanta e mais uma vez concorda com o juiz, explodindo seu cosmo para o ataque mais destrutivo. Seu corpo está muito dolorido. - "Que força esse homem tem! Até hoje, ninguém havia conseguido me derrubar deste jeito... será que isso se deve ao fato de eu estar morto?"

- Bater das Asas Gigantes! - Griffon lança seu golpe com força total. Quer acabar logo com aquilo e descobrir o que tanto o incomoda.

- Supernova Titânica! - o taurino também dá o máximo de si neste golpe.

Os cosmos se chocam com tamanha violência, que todo o terreno se parte. As pedras gigantescas que se desprendem do chão são arremessadas longe com a tempestade de vento do Griffon, que a cada segundo se torna mais forte. Uma chuva de pedregulhos pode ser vista em volta de um grande furacão, iluminado em dourado e púrpura. Vários raios multicoloridos saem do olho da tempestade degrade, batendo contra a terra com tanta violência, que abre grandes crateras.

- Minos-sama! Minos-sama! - Markino chega até a beira da grande tempestade que se formou, desviando da chuva de raios e pedregulhos que cai sobre o local. - Minos-sama, o senhor pode estar numa armadilha!

- Hum?! - Minos desvia os olhos para o pequenino, que pulava e gritava ao longe. - "O que você está fazendo aqui, idiota?! Eu lhe ordenei que permanecesse na casa do julgamento e não permitisse que ninguém entrasse ou saísse de lá!" - o juiz grita através do cosmo e isso o faz se desestabilizar um pouco, perdendo território para o cosmo de Aldebaran. Rapidamente, Griffon retoma sua frágil concentração, fitando os olhos do cavaleiro.

- "Minos-sama... há outros cavaleiros escondidos no local! Eu vim cuidar de sua retaguarda!" - grita o espectro através do cosmo, em tom de urgência.

- "Outros cavaleiros?!" - Minos estreita os olhos e trinca os dentes, ainda fitando Hasgard. - "E o que você veio fazer aqui, seu energúmeno?! Como pôde deixar a casa do julgamento desprotegida?!" - seu cosmo oscilava muito e a energia que rodeava os dois guerreiros estava muito instável. Hora pendia para Minos e hora para Aldebaran. - "Volte já para lá e leve os espectros que encontrar pelo caminho!"

- "Este cosmo instável está difícil suportar... mesmo que oscile, tem picos que ultrapassam os meus! Que poder este espectro tem!" - Aldebaran também era obrigado a oscilar seu cosmo para equiparar-se aos picos de poder de Minos. Está preocupado, pois sabe que não aguentará por muito tempo. Era impossível manter tal nível de força sobre-humana. - "Ninguém, até hoje, havia conseguido medir forças contra esse golpe. E mesmo com seu cosmo tão instável, ele o faz!"

- "Não se preocupe, senhor, a casa está bem protegida! Meu amigo, Fiodor de Mandrágora, se ofereceu para ficar em meu lugar até que eu retorne." - Markino tenta tranquilizar Minos, ainda se comunicando através do cosmo.

- "Amigo? Fiodor?!" - Minos pensa. Arregala os olhos ao perceber o que estava acontecendo. Seu coração estremece e se aperta, de tal maneira que não lhe permite mais controlar seu cosmo, que oscila tremendamente. - "Não pode ser! Albafica!" - o juiz percebe que cometeu um grande erro ao se deixar levar pela preocupação. Mas é tarde demais. - "Merda!" Aaahhhhhhhhh!

O poder de Aldebaran finalmente sobrepuja Griffon, engolindo-o em uma enorme explosão.

- Minos-samaaaa! - Markino grita, desesperado e incrédulo, enquanto sente o cosmo do juiz se esvair e desaparecer.


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Mais estrondos e explosões surgem no horizonte. Mais uma vez pode-se sentir claramente o cosmo do juiz oscilando perigosamente. Parecia uma grande tempestade de raios. Os trovões causavam arrepios em qualquer um.

O espectro se aproxima e desfere mais um soco contra o abdômen do santo de Atena, que ainda se encontrava jogado ao chão.

- Argh! - Albafica vomita uma grande quantidade de sangue.

- Sabe... eu estava ansioso por isso. Uma oportunidade de ficarmos a sós novamente! Agora, Minos-sama não está aqui... nem aquele enxerido do Byako. Não há ninguém nesta casa... ninguém irá nos atrapalhar! - diz o espectro, dando uma gargalhada satânica.

- "Esse maldito! Se eu pudesse enfrentá-lo... se pudesse usar meu cosmo... ou se pelo menos ainda corresse veneno em minhas veias!" - Albafica busca forças em seu ódio e orgulho para tentar se levantar novamente. Mas o espectro pisa em seu pé direito com força, fazendo-o estralar e mais uma vez, levando o pisciano aos gritos. - Aaaaaargh! Sai! Saia daqui! Deixe-me em paz, maldito!

- Isso... é pelo meu braço quebrado! - o espectro dá um chute na lateral do corpo de Albafica, que ainda tentava se levantar. Mais uma vez, o cavaleiro bate contra a parede e vai ao chão. - Isso é por ter aberto sua boca e me delatado a Minos-sama! - diz o espectro, dando outro chute em Albafica, que se encontrava caído ao chão, encurralado entre ele e a parede.

Aaarghhh! - o pisciano cospe mais sangue.

O espectro desconhecido não se dá por satisfeito e o pega pelo cabelo, levantando-o. O joga contra a parede com muita brutalidade e o mantém prensado contra ela, segurando um de seus braços para trás.

- Pare com isso, maldito! - Albafica grita, sufocado com o sangue que vem de sua garganta e escorre pelos seus lábios.

Neste momento, o choque entre os cosmos de Minos e Aldebaran é sentido, seguido de um grande tremor. Uma tempestade de proporções gigantescas e tons degrade toma conta do céu da segunda esfera do meikai, espalhando raios multicoloridos que destroem tudo que tocam, causando uma sequência de pequenas explosões à sua volta e uma chuva de pedras. É um espetáculo medonho e seu som é ensurdecedor.

O espectro pára o que está fazendo, virando sua atenção para o horizonte para observar a cena assustadora, enquanto mantém Albafica prensado contra a parede.

- "Não pode ser... é a supernova de Aldebaran!" - Albafica se assusta e arregala os olhos ao reconhecer o golpe mortal do cavaleiro de touro. Ele sabe que ninguém havia sobrevivido a tal nível de poder. Mais uma vez o coração do pisciano se aperta. - "Minos!"

Os dois permanecem imóveis observando o terrível espetáculo de luz e som, que faz com que todo o local seja iluminado numa sucessiva explosão de cores, que dura um bom tempo com algumas oscilações sutis. O cosmo do juiz se desestabiliza completamente e, em questão de segundos, é sobrepujado pelo cosmo do taurino, que se espalha por todo o horizonte, varrendo tudo à sua frente. Ambos sentem o cosmo de Minos rapidamente se esvair, até desaparecer completamente. Enquanto o cosmo de Hasgard enfraquece lentamente, a um nível muito baixo.

- "Não pode ser"- o coração do pisciano pára em uma batida e seus olhos, arregalados e incrédulos, se enchem d'água ao ver sua única e remota esperança desaparecer diante de si. - "Minos... morreu?!"

- Hooo... parece que não preciso mais me preocupar com punições! - o espectro solta uma gargalhada sinistra. - E então escravo, agora que não tem mais seu "dono", o que acha que vai acontecer a você?

- "Isso não pode estar acontecendo!" - Albafica estava boquiaberto, seu coração latejava e um pânico incontrolável tomava conta de seu ser. - "Aldebaran não faz idéia de que estou vivo, nem conseguiria sentir minha presença neste lugar por causa destas malditas algemas! E se não fosse por elas... eu não precisaria da ajuda de ninguém para esmagar um verme como este."

O espectro o joga com violência contra a parede oposta e o cavaleiro vai ao chão mais uma vez. Não consegue mais reagir. Além de ter o corpo muito debilitado pelos ferimentos internos que sofrera, seu psicológico estava destruído com tamanho sofrimento e angústia da tortura a que fora submetido. Seu novo algoz se aproxima lentamente e pisa em sua cabeça, amassando-a contra o chão, como se apagasse um cigarro.

- Não se preocupe, tomarei posse de você e cuidarei para que não morra... - o espectro fica extasiado com os gemidos dolorosos que Albafica deixa escapar. - Afinal... mortos não podem gemer de prazer... apenas de dor! - ele solta mais uma gargalhada maquiavélica.

- Aaaaaargh... "Minos, por que me abandonou à própria sorte? Por que me trouxe aqui e me deixou totalmente indefeso, se ia me abandonar em seguida? Por que se deu a tanto trabalho quando, no final, sequer conseguiu o que tanto queria? Por que me deixou sozinho logo agora?"- em seu desespero, Albafica segura o pé do espectro, fazendo uma força inútil para tirá-lo dali. – Pare, bastardo! - lágrimas percorrem seu rosto quando a imagem do juiz invade sua mente. - "Não... Minos, você não pode morrer! Não pode me deixar aqui sozinho! Seu maldito! Você não pode me abandonar e me deixar nas mãos deste verme! Não pode me deixar aqui! Minos!"

- É verdade... se eu continuar, acabarei matando você... e não quero isso! Também não quero que perca os sentidos, pois quero ter o prazer de escutar outro tipo de gemido vindo de sua boca! - o espectro, com um sorriso maléfico nos lábios, tira o pé de cima da cabeça do cavaleiro e desfere outro chute em seu tronco, fazendo com que se vire de barriga para cima. - Bom... até agora só escutei seus gemidos de dor... então, vamos aos de prazer!

- Seu... desgraçado! - Albafica trinca os dentes de ódio e revolta. Tenta reagir, mas seu corpo está extremamente debilitado e já não o obedece. - "Meu corpo... está tão dolorido e pesado, que mal posso me mexer! Isso não pode estar acontecendo comigo! Não pode acontecer!"

O espectro segura a gola da blusa do santo de Atena, rasgando e arrancando-a de uma só vez, com tanta agressividade que chega a ferir seu dorso e causar algumas queimaduras com a fricção. Faz o mesmo com a calça, que além de causar queimaduras ao pisciano, também talha a pele sensível de suas pernas e nádegas, fazendo-o sangrar. A dor e humilhação fazem o rosto de Albafica enrubescer completamente. Seus olhos perdem o brilho e a esperança.

- Pare com isso! Por favor... chega! – balbucia, mortificado. Seus olhos não paravam de lacrimejar e seu coração ansiava desesperadamente que Minos o acordasse daquele pesadelo e o trouxesse à mesma realidade dos últimos dias: apenas Minos e ele naquele quarto, trocando farpas enquanto se seduziam inconscientemente. Que tudo não passasse de um delírio, causado por algum tipo de alucinógeno da comida do jantar de dias atrás. Ou que, ao acordar, estivesse deitado naquela cama ao lado do juiz, que fora tão gentil nas "torturas" da madrugada anterior, depois da longa noite de amor que nunca tiveram. Mas tinha certeza de que tudo era real. Que Minos havia morrido mais uma vez e que ninguém apareceria para ajudá-lo. - "Que ridículo... um santo de Atena almejando a ajuda de um dos juízes do submundo... hunf... como se ele fosse me ajudar se estivesse aqui... ou será que não? Ele quebrou o braço desse espectro maldito por minha causa... não, foi por pura demonstração de posse e poder! Para deixar claro que ninguém poderia tocar em seu "brinquedo"! Minos... por que eu não passava de um "brinquedo" aos seus olhos? Por que você tinha de ser um espectro de Hades? E por que eu tinha que me apaixonar por você? Apaixonar?! Sim... estou apaixonado por um espectro. Mas isso não importa mais, pois ele não está aqui para me ajudar. Talvez, mesmo que estivesse, não me ajudaria... Minos!"

- Ótimo, suas súplicas me excitam ainda mais! - o espectro está possuído pelo ódio, maldade e excitação da violência sexual a que pretende submeter o cavaleiro. - Continue!

- Pare, desgraçado! Isso não vai levá-lo a nada... - o pisciano não tem mais forças para gritar, sua voz sai fraca e abafada. - "Ah, Minos... eu o reneguei tanto... eu queria odiá-lo apenas por ser um espectro, mas não consegui! Por várias vezes menti para você e para mim mesmo, dizendo o quanto o achava desprezível, que o odiava, que sentia nojo de você... que preferia o cocytos a me entregar a teus desejos... mas a verdade é que eu o desejava, tanto quanto você a mim! Que meu corpo pedia pelo seu desesperadamente, mas eu não queria aceitar! A verdade... é que tudo que eu queria agora era estar em seus braços... mesmo que você apenas estivesse me usando."

- Cale a boca, maldito! Você só tem o direito de pedir, implorar, chorar e gemer! - o espectro o chuta mais uma vez, o fazendo rolar e ficar de bruços. Apóia o pé em cima das costas de Albafica, para que permaneça deitado no chão, enquanto abre sua calça sem tirar a armadura, já que a mesma não era empecilho algum, revelando seu falo, rijo de excitação. - Não quero escutar lição de moral! E a partir deste momento, não tolerarei mais suas ofensas!

- "Eu estou perdido... o reneguei... reneguei seu corpo junto ao meu... reneguei todo o seu cavalheirismo, sua cortesia, seu carinho, sua paciência... e agora serei possuído por um verme maldito, que não chega aos pés de sua beleza, elegância, poder e caráter!"- Albafica havia perdido completamente as esperanças e não conseguia mais lutar contra o espectro maligno, muito menos com seus sentimentos conturbados. Seus olhos se tornam nublados. Apenas consegue pensar em tudo que aconteceu madrugada anterior. -"Tudo por orgulho! Meu maldito orgulho! Talvez essa seja minha punição... era isso que tentou me mostrar tantas vezes, não é mesmo Minos?! Meu pecado mortal... meu orgulho... perdoe-me por todas as minhas acusações infundadas... perdoe-me, Minos!"

- Sabe... não é algo ruim... é até bom. No início você vai sentir dor, mas depois se acostumará e sentirá prazer... - o espectro se ajoelha, pegando Albafica pela cintura, de forma a deixar seu traseiro empinado. Se debruça um pouco sobre ele, forçando seu rosto contra o granito frio. - Com o tempo, não vai mais se importar... ao contrário, vai me implorar por mais!

O santo de Atena sente o membro enrijecido do espectro encostar em sua perna, o que lhe causa náuseas. Por reflexo ao contato do espectro, o cavaleiro se debate, usando o resto das poucas forças que restaram.

- É bom relaxar se não quiser sentir mais dor que o normal, escravo. - o espectro pega um dos braços de Albafica e o dobra pra trás com força, imobilizando-o de vez.

Neste momento, o cosmo de Aldebaran, que já era muito baixo, desaparece. Apenas o cosmo de Lune é sentido no local da batalha. Isso chama a atenção do espectro, que fita o horizonte por alguns segundos, abrindo um sorriso de satisfação.

- Me parece que seu amiguinho já foi capturado... mas ele não faz meu tipo. Eu quero mesmo é aquele infeliz do rosário! Ele irá te fazer companhia, não se preocupe! - mais uma gargalhada cruel é sádica ecoa no quarto.

- Miserável! - Albafica está com dores insuportáveis por todo o corpo. Está fraco demais para fazer qualquer movimento e apenas consegue enrijecer seu corpo em protesto. - "Você tinha razão, Minos... sabia mesmo como acabar com meu orgulho em questão de segundos... e mesmo assim, nunca o fez! Por quê? Por que nunca me tomou para si, Minos?! Por que não me violentou, como este homem está prestes a fazer? Assim eu poderia odiá-lo... eu conseguiria odiá-lo! E não pensaria em você num momento como este..." - suas divagações desesperadas são interrompidas quando este sente um tapa forte na nádega e tenta gritar, mas tudo que sai de sua boca é um baixo gemido, que o deixa ainda mais envergonhado. - Ahh!

- Isso! É assim que eu quero! Parece que entendeu meu recado... - o espectro segura seu falo para iniciar a penetração no orifício virgem do corpo que tanto deseja possuir. Ele está completamente excitado com toda a situação. - Pode gemer bem alto! Quanto mais alto, melhor! Não se preocupe, desta vez não há ninguém por perto para escutar... então pode gritar, se preferir.

- Grrrrr! - o pisciano trinca os dentes e fecha os olhos, suspirando fundo enquanto fica ainda mais corado. Tomado pela vergonha, se prepara para o que está por vir. - "Minos... eu não acordei! Isso não é um pesadelo! Você não está aqui! Acabou!"            

Albafica escuta um estrondo e sente um cosmo muito familiar e extremamente agressivo se elevar do nada.

- Mas o que é... - indaga o espectro, levantando o olhar em direção ao barulho.

- Eu vim o mais rápido que pude... imaginando o que poderia estar acontecendo de tão grave, fazendo meu coração apertar ao ponto de me desconcentrar durante uma batalha... - Minos havia destroçado completamente a porta e adentrava lentamente o local, com um semblante inexpressivo. Pára na entrada, fitando o espectro, enquanto o imobiliza com sua manipulação cósmica e o força a tirar as mãos de Albafica. Sua surplice estava totalmente danificada: rachada, faltava-lhe uma asa e a outra estava quebrada. Em seu corpo ensanguentado havia inúmeros ferimentos, desde queimaduras a cortes profundos, que ainda sangravam. O juiz estava ofegante e sua voz era muito baixa e cansada. Seu suor se misturava ao sangue, fazendo-o escorrer ainda mais rápido pelo corpo, causando muita dor em suas feridas, que latejavam com o sal. - ...e receber um golpe daquela magnitude.

- Minos-sama! - o espectro arregala os olhos e grita assustado.


*Flashback*

Passados alguns minutos da explosão, a claridade cessa e o céu volta ao seu tom púrpura-azulado. No meio de uma enorme cratera está Aldebaran. Ainda de pé, mas exausto e muito ferido. Seu cosmo enfraquece a cada segundo que passa e ele começa a sentir os reflexos das dores dos ferimentos de seu corpo etéreo. O local está devastado, não há uma única pedra em quilômetros do que se transformou em uma enorme planície. O cavaleiro de ouro olha ao seu redor e vê, bem ao longe, Minos estirado de bruços no chão.

- Como eu pensei... ele usou suas asas como escudo e as fortificou com todo o cosmo que pôde acumular em sua surplice... mas que espectro formidável! - Aldebaran balbucia, pondo-se a caminhar na direção do juiz. - Ele conseguiu sobreviver a isso tudo, mas com certeza, não pode mais se levantar... - o cavaleiro se aproxima do espectro e se agacha ao seu lado, levando a mão para tocá-lo.

- Não toque nele, maldito! – Lune, que chegou segundos depois da explosão, procurava pelo espírito de Hasgard, pensando que seu mestre estava morto. Usa seu chicote para segurar a mão do taurino antes que toque no juiz. - Não permitirei que suas mãos imundas toquem em meu senhor!

- "Droga! Havia mais um!" - Hasgard vira-se para o espectro e o fita, já calculando as probabilidades para a nova luta que se iniciaria, quando escuta um ruído e olha novamente para Minos. – Mas, o que?! Sumiu! "Não posso acreditar que ele conseguiu se levantar depois disso!"

- "Minos-sama..." - Lune também se espanta e arregala os olhos ao ver que o corpo de seu mestre já não se encontrava ali. Mas não demora muito a se acalmar e, discretamente, sorrir satisfeito.

*Fim do Flashback*


- Mi... nos... - Albafica abre os olhos e balbucia, quase sem forças. Os pés do juiz é tudo que ele consegue ver do chão. Nessa hora, o pisciano não consegue sentir nada, medo ou vergonha. Nem por um segundo passa por sua cabeça o fato de que Minos também é um espectro, ou as promessas de tortura que outrora escutou do juiz. Apenas uma sensação gigantesca de alívio toma conta de seu coração. - "Eu enlouqueci? Estou delirando? Minos?! É ele mesmo?"

- Ah... então era isso. - o juiz balbucia. - Não sabia que você apreciava rosas, Fiodor de Mandrágora. Aliás... pelo que vejo, você não sabe o significado da palavra "apreciar"...

- Ma-mas... seu cosmo desapareceu por completo! - o espectro arregala os olhos, gaguejando surpreso e temeroso. - E-eu pensei que...

- Eu estava morto? - Minos completa ironicamente, ainda com a voz abalada. Seus olhos vermelhos e sanguinários faíscam. - Não... você deveria saber que aquilo não seria o suficiente para me matar. Confesso que me deixou muito ferido, mas ainda tenho forças para permanecer de pé! - com seus fios cósmicos, o juiz arremessa Fiodor violentamente contra a parede, rachando-a. Em seguida, o bate com tanta força contra o solo, que o faz afundar. Ao olhar para Albafica naquele estado, o sangue lhe sobe ainda mais à cabeça. Seu cosmo desestabiliza, soltando Fiodor de sua manipulação.

- Sabe, Fiodor... minha vontade é quebrar todos os seus ossos até desmembrá-lo... eu quero mesmo esquartejá-lo e espalhar seus restos por todo o meikai! - embora Minos mantenha seu tom de voz baixo, pode-se sentir ódio puro em seu cosmo descontrolado. O juiz está completamente transtornado, tomado por sentimentos malignos. Sua aura se tornou tão obscura que até mesmo Albafica, antes aliviado, agora estava aterrorizado.

- Minos-sama, me perdoe! Eu... eu lhe imploro que me perdoe! - diz o espectro, trêmulo de pânico. - Ele é apenas um escravo! Não há necessidade disso tudo. - levanta do chão com dificuldade, prostando-se.

- Ah... não se preocupe, Fiodor. Eu não vou matá-lo com minha manipulação cósmica... - o tom maquiavélico do juiz se eleva um pouco, mas ele ainda se mantém calmo. - Isso seria um desrespeito para com Albafica, que foi vítima de suas torturas libidinosas.

- Não seja hipócrita! Todos sabem que você estuprou este verme durante essa madrugada! Você não é diferente de mim! É um espectro tão sádico e cheio de ódio quanto eu! - Fiodor grita de desespero, enquanto se levanta e limpa com as costas da mão o sangue que descia pelo canto de seus lábios.

- Está enganado, verme! Não me compare a um inseto como você! Eu não violentei Albafica! - indignado, Minos grita com todo o seu ódio, enquanto move seus dedos bruscamente, fazendo vários ossos de Fiodor se partirem em pedaços. - Marionete Cósmica!

- Ahhhhhhhhhhhhhh! - o espectro grita de dor e seus olhos lacrimejam.

- Eu jamais me rebaixaria a isso! Eu tenho minha honra, meu orgulho e meus sentimentos! Coisas que você desconhece, Fiodor! Você é uma vergonha para o exército de nosso imperador! É um inútil, desprezível! - Minos continua gritando, completamente fora de si. - Sequer teve competência para manter Pégaso no submundo até que a proteção de Atena se esvaísse e ele finalmente morresse! Hades-sama foi muito benevolente em trazer-lhe de volta à vida!

- Não pode me torturar desse jeito por causa de um escravo... sou um espectro! Integrante do exército de Rhadamanthys-sama. Só ele pode me punir! - Fiodor eleva seu cosmo de forma agressiva, mas nem de longe intimida Minos com tão pouco.

- A partir do momento em que você ousou invadir meus aposentos e tocar em Albafica, eu posso fazer o que quiser com você. - diz o juiz, diminuindo seu tom de voz, mas ainda se impondo, enquanto eleva ainda mais seu cosmo tenebroso. O local é tomado por uma grande ventania, produzida pela intensidade do cosmo do juiz. - Eu sou um juiz do submundo assim como Rhadamanthys e tenho tanto poder e prestígio quanto ele! Além do mais, eu duvido que ele admita que um ser imundo como você permaneça em seu exército! Vou quebrar todos os seus ossos e ensiná-lo como se deve tratar uma rosa delicada como Albafica!

- Não se eu puder evitar! Você está ferido e seu cosmo muito fraco. Mesmo sendo um juiz, não conseguirá resistir a meu golpe! Estrugido Lancinante do Enforcamento! - Fiodor lança seu golpe contra Minos. É um grito ensurdecedor, que faz Albafica gritar de dor. Mas em questão de segundos, o juiz desfere um violento soco, que despedaça todo o peitoral de sua surplice, pulverizando a face da mandrágora incrustada em seu lado esquerdo. Também quebra os vidros da grande janela com a pressão do ar. O espectro é arremessado contra a parede e a atravessa, caindo dentro do caldarium, onde permanece.

- Idiota! Como ousa pensar em me atacar? Achou mesmo que eu, Minos de Griffon, um dos três juízes do inferno, seria afetado por um golpe de nível tão baixo?! - o juiz está ofegante e ainda tomado por seu ódio e revolta. Sequer sente algum reflexo de dor ou coisa parecida. - Invadiu os aposentos de um dos três juízes, tentou tomar o que tenho de mais precioso e ainda ousa me enfrentar... traidor!

Ao ver que Fiodor não reage, Minos tenta se controlar, acalmando seu cosmo. Caminha lentamente em direção a Albafica, se agacha, virando-o delicadamente e o pega no colo. O leva para sua cama, deita-o com cuidado, cobre-lhe o corpo com uma colcha e senta-se na beira da cama, fitando-o. O pisciano está em choque. Não tem qualquer reação, não consegue pensar em nada. Seu corpo está completamente entorpecido e seus olhos lacrimejantes, sem brilho algum. Nem mesmo consegue sentir a dor de seus ferimentos, mas ainda está consciente.

- Albafica... - o juiz balbucia, pesaroso. Mas não fala mais nada. Apenas levanta seus olhos, estreitando-os e fitando o nada à sua frente, enquanto presta atenção nos movimentos de Fiodor, que se aproxima. - Hum...?!

- Traidor... foi o que disse? - o espectro balbucia, completamente exausto e ofegante. - O traidor aqui é você, que ataca um dos seus por causa de um ex-cavaleiro de Atena! Um mísero escravo!

- Hunf! - o juiz suspira com desprezo e agora fala num tom baixo e calmo, mantendo-se sentado à beira da cama, de costas para o espectro. - "Um dos meus..." não Fiodor, você não é "um dos meus", é apenas lixo! E deve ser tratado como tal! - Minos apenas levanta sua mão e mais uma vez manipula o espectro, esfacelando mais alguns ossos de sua perna. O espectro vai ao chão, enquanto urra de dor e desespero. - Se torturar um lixo como você me dá o título de traidor... então posso dizer que tenho orgulho disso.

- Maldito! Por que não me mata de uma vez?! - grita o espectro, com a voz estrangulada de dor.

- Porque eu lhe disse, Fiodor, que não o mataria com minha manipulação cósmica. Esqueceu? Eu prometi que o ensinaria como se trata uma rosa delicada. - Minos se aproxima do rosto de Albafica, lambe carinhosamente o filete de sangue que escorria pelo canto de seus lábios e o beija com cuidado, sugando seu néctar, sua saliva ensanguentada. Levanta-se e caminha calmamente até o espectro. Se agacha e segura Fiodor pelos cabelos, levantando seu rosto. Beija sua boca de forma gentil, mas completamente fria.

- "Um beijo?!" - Fiodor arregala os olhos quando sente a língua do juiz entrelaçar à sua.

Minos se distancia lentamente, fitando calmamente os olhos surpresos do espectro de Mandrágora, enquanto acaricia seu rosto com delicadeza.

- Está vendo? É assim que se trata uma flor delicada. - sussurra bem próximo ao ouvido do espectro e então se distancia, voltando a fitá-lo.

- Minos-sama... - Fiodor se vê preso em seu olhar e não consegue dizer nada além do nome do juiz.

- Fiodor... você sabia que embaixo da língua existem várias glândulas e mucosas, além de ter um rico sistema de irrigação sanguínea?

- O-o que tem isso? - pergunta o espectro, completamente confuso.

- Isso significa que esta região absorve qualquer substância em questão de segundos, jogando-a direto na circulação.

- ...? - o espectro arregala os olhos e começa a sentir fortes espasmos - Argh!

- Aquela bela rosa, a qual você tanto judiou e ainda pretendia violentar, é completamente venenosa. Eu poderia deixar você fazer o que queria e morrer, antes mesmo do seu tão desejado coito. Mas... não posso permitir que um verme asqueroso como você o toque, muito menos de uma forma tão íntima. - diz Minos, num tom muito sereno, enquanto se levanta e observa, inexpressivo, Fiodor gemer e se contorcer no chão.

- Mas... você... você o beijou! Acabou de lamber seu sangue! Argh! - o espectro fala surpreso, com uma voz estrangulada. Vomita uma boa quantidade de sangue, se contorcendo ainda mais.

- Mas é claro! Eu posso tomar o sangue dele o quanto quiser... o sangue de Albafica está em mim e eu venho lidando com seus efeitos desde que Hades-sama me ressuscitou. Por isso não me faz mais efeito. - Minos explica com serenidade ao espectro. - Que ironia, não é mesmo, Fiodor? Albafica gastou quase todo seu sangue para conseguir me matar e, como punição, meu senhor me trouxe à vida neste mesmo corpo, para que eu sofresse as consequências de minha falha, assim me tornei imune. Mas você, basta algumas gotas para levá-lo ao óbito. Isso mostra o quanto você é insignificante!

- Você disse que não me mataria! - Fiodor vomita mais sangue.

- Disse? Me lembro de dizer que não usaria minha manipulação para matá-lo, pois isso ofenderia o orgulho de Albafica, mas não me lembro de prometer poupar sua vida. Você é um inseto, um verme, Fiodor! Agradeça por ter a honra de experimentar o beijo mortal do cavaleiro de peixes... dê-se por satisfeito por conseguir provar de sua essência e morra em paz!

- Mal... di... to! - esta foi a ultima palavra do espectro de Mandrágora, que cai morto, com os olhos arregalados e marejados de dor.

- Ham?! - Minos se surpreende ao ver Fiodor, gradativamente, se transformar em cinzas. -... Então, é isso que acontece quando um espectro é selado? Repugnante! É uma pena, Fiodor... pretendia dá-lo como comida a Cérbero. Talvez seja melhor assim, pois ele não conseguiria digerir algo tão nojento como você. - o juiz vira seu olhar para a porta, fitando aparentemente o nada. - Byako!

- Mi-Minos-sama! - o espectro de Necromancer, que chegara há alguns minutos e permanecia escondido nas sombras, presenciou a cena. Olhava estarrecido para Minos. - Touro está...

- Isso não me importa agora... traga Luco até mim com urgência e quando sair, mande Markino preparar o outro quarto o mais rápido possível, este aqui está inabitável. - Minos balbucia, enquanto vai ao seu armário e pega alguns remédios e ataduras. O juiz, então, se desequilibra e quase vai ao chão.

- Minos-sama, o senhor ficará bem? - Byako o apóia e o põe sentado na cama.

 - Vá logo, por favor!

- S-sim! - Necromancer se retira, sem dizer mais nada.

Minos trata os ferimentos de Albafica e, cuidadosamente, enfaixa sua cabeça, abdômen e pé direito, que foram os locais mais atingidos por Fiodor. Embora seu corpo estivesse muito ferido, Albafica não deu um gemido sequer. Simplesmente não reagiu a nenhum estímulo, mantendo-se em absoluto silêncio, fitando-o enquanto este limpava e tratava seus ferimentos. Não demorou mais que minutos para que o pisciano cedesse ao cansaço e dormisse profundamente. Minos permaneceu ao seu lado, velando seu sono até perder a consciência e ir ao chão.

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